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O batismo de Jesus e o nosso batismo

A celebração do batismo de Jesus descortina para nós, cristãos, dois grandes temas. Primeiramente, poderíamos nos perguntar: por que Jesus, sendo igual a nós em tudo, exceto no pecado (cf. Hb 4,15), se batizou, já que o batismo de João Batista era para a conversão dos pecados? Depois, o que o batismo de Jesus tem a dizer sobre o nosso batismo?

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Ao deixar-se banhar nas águas do rio Jordão, Jesus ratifica a missão de precursor de João, conhecido como o batista. De fato, ele é o profeta de um tempo novo: “convertei-vos, pois o Reino de Deus está próximo” (Mt 3,2). Assim, por imersão, Jesus “batiza” as águas com a sua santidade e cura, através delas, a ferida mais profunda e nefasta da vida humana, a saber, o pecado, aquilo que nos desconfigura, nos faz perder a semelhança com Deus. Em João Batista, o homem é ainda “peludo” e “animalesco”. Em Jesus, o Escolhido e Ungido do Pai, esse mesmo homem torna-se novo, com feições e imagens novas. Despe-se do antigo para açambarcar a novidade que somente o Espírito do Senhor é capaz de operar.

Depois, ao deixar-se batizar para cumprir toda a “justiça”, Jesus inaugura o tempo há tanto esperado e desejado pelo povo judeu: “eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1,36). Assim, a justiça de Deus se torna presente na pessoa do Filho que justifica e plenifica a vida do ser humano; redesenha-lhe um novo caminho e lhe propõe um novo modo de existir. Do eón cronológico e opressor, passamos, em Cristo, para o eón kairótico, salvífico, disposto por Deus. Por isso, o batismo de Jesus diz muito de nós e para nós, cristãos. Diz-nos, sobretudo, que nele e através dele tornamo-nos, de fato, filizalizados ao Pai graças ao Seu Espírito em nós. Também nós o recebemos abundantemente e agora, após configurarmo-nos a Cristo, podemos também chamar a Deus de “Abba, ó Pai”. E mais: pelo Espírito, fomos enxertados na vida divina, inseridos na ciranda da Trindade e passamos a viver aquela mesma vida que não se extingue mais, pois, “com Cristo fomos escondidos em Deus” (Cl 3,3), e isso não é pouco.

Por fim, o batismo de Jesus nos recorda o nosso próprio batismo, pois nos coloca diante da nossa missão, intransferível e inadiável: “ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Que tenhamos a Graça de nos redescobrimos de novo vocacionados à missão do Cristo.

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Por, Pe. Claudemar Silva

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