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O Belo e Bom Pastor, por Pe. Douglas Nunes

O Belo e Bom Pastor
Pe. Douglas Nunes
Chanceler do Bispado
Vigário na Paróquia São Judas Tadeu, Uberlândia

 

O Quarto Domingo do Solene Tempo da Páscoa, é comumente conhecido como Domingo do Bom Pastor. Liturgicamente, tal atribuição se deve ao fato de nos três anos do ciclo medita-se neste domingo um trecho do capítulo 10 do Sacrossanto Evangelho segundo São João. Porém, esta é uma das representações mais antigas de Cristo que encontramos já nas catacumbas, pois já na Igreja Nascente, Ele é concebido como Aquele que conduz suas ovelhas ao aprisco definitivo do céu.

O Quarto Evangelho apresenta uma maneira muito própria de Jesus falar: suas autoproclamações em linguagem simbólica. Nos outros evangelhos, Jesus fala como profeta ou como mestre popular: anuncia e denuncia, exorta e ensina em parábolas. No Evangelho segundo João, sete vezes, Ele toma a palavra para se autoproclamar como a realização daquilo que os grandes símbolos do povo bíblico e mesmo da humanidade apontam: “Eu sou o pão da vida” (6,35); “Eu sou a luz do mundo” (8,12); “Eu sou a porta” (10,7); “Eu sou o bom pastor” (10,10); “Eu sou a ressurreição e a vida” (11,25); “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (14,6); “Eu sou a videira verdadeira” (15,1).

A autoproclamação figurativa de Jesus sendo o “Bom Pastor” parece ser na realidade uma nova parábola: o pastor por excelência empenha sua vida para defender as ovelhas, ao contrário do simples assalariado, que foge quando se apresenta um animal de rapina. Porém, por influência da tradução latina, nossas traduções falam no “Bom Pastor”, certamente em oposição aos maus pastores mencionados na Profecia de Ezequiel 34 e outros textos bíblicos; mas o termo original grego não significa “bom” ou “bondoso”, e sim, “belo, nobre, valente, acertado, excelente”.

Portanto, Jesus é o Belo e Bom Pastor. Belo porque é o exemplo, o modelo perfeito para a vida pastoril, e Bom porque Ele dá a vida, uma entrega total para defender o rebanho.

Mas a alegoria de Jesus-Pastor, traz um paradoxo. Cristo se revela como esse Pastor bondoso e valente e identifica seus discípulos e discípulas como as ovelhas do seu rebanho. Por outro lado, sendo exemplo, Ele nos convida, pelo Batismo, a sermos seus imitadores, sermos também pastores. Na Comunidade de Fé há os pastores constituídos, aqueles que participam pelo sacramento da Ordem (bispos, presbíteros e diáconos), mas a vocação pastoral se estende além desses limites. Cada um pode ser um pouco “pastor” de seu próximo. A Igreja nos convida, incessantemente para a Vida Pastoral, animando e transformando a sociedade, através das várias atuações socioambientais (Pastoral da Terra, Pastoral das Pessoas em situação de Rua, Pastoral da Saúde, Pastoral da Criança, etc…)

Por isso, neste dia, a Igreja também celebra o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, convidando a todos e cada um a “refletir sobre o chamado do Senhor enquanto nos torna portadores duma vocação e, ao mesmo tempo, nos pede a coragem de arriscar com Ele e por Ele” (Papa Francisco), sendo testemunhas do amor misericordioso, conclusão de todo agir cristão no mundo.

Que o Cristo, Belo e Bom Pastor, conduza e ilumine nossa Ação Evangelizadora, como vocacionados do Pai, para que haja “um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16)!

 

*O artigo apresentado é de responsabilidade do autor.

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