Colunistas

“O que realmente importa?”, por Ariovaldo Afonso – Seminarista

O que realmente importa?
Ariovaldo Afonso de Oliveira Júnior
Seminarista da Diocese de Uberlândia
Graduando em Teologia pela PUC-Minas

Recentemente o tema sobre racismo ficou em alta nos noticiários e nas redes sociais, isso porque um homem negro foi morto brutalmente por um policial nos Estados Unidos. O racismo é apenas uma das várias formas de discriminação que existem nas culturas. São assuntos que deveriam estar em pauta sempre, para ser combatido é claro, e não somente quando acontece algo que se propaga na mídia mundial. Temos caso de preconceito e discriminação a todo instante, no ônibus, na lanchonete, no shopping, na igreja, na rua, enfim, em todo lugar existem pessoas com o péssimo hábito de se fazer modelo de algum estereótipo físico-social e comparar o outro com seu espelho.

O que proponho como reflexão para essa semana é: todas as vidas importam ou somente a vida das pessoas que eu seleciono é que importam? Somos seres criados para viver em sociedade, ou seja, para nos relacionarmos uns com os outros, independentemente de cor, crença, condição financeira, grau de instrução, biotipo, classe social, etc… A todo instante nos deparamos com diversos tipos de pessoas e não seria interessante que fizéssemos acepção dessas pessoas, primeiro porque a vida dele é importante, depois porque podemos precisar delas, e quão vergonhoso é quando desfazemos de alguém e depois ela está pronta para nos servir. E se não fazemos essa acepção sempre nos deparamos com alguém discriminando ou desfazendo do outro, qual a nossa atitude diante disso?

Outro dia li um artigo na internet que falava sobre os vários tipos de discriminação existentes na sociedade, sobretudo, no Brasil. A autora, Cristina Beccari, dizia que “o racismo e a discriminação a qualquer título são abomináveis aos olhos daqueles que vivem a verdadeira humanidade e que tratam aos outros com igualdade, respeito e amor independente da cor, da raça, do sexo, da idade, da profissão, etc…” Se a gente vive assim, discriminando, então não podemos ser chamados de cristãos, pois foi assim que Cristo nos ensinou e foi assim que ele viveu, amando e respeitando o próximo sem distinção.

Se até o Estado que é declarado laico, ou seja, o seu poder é oficialmente imparcial em relação às questões religiosas, não apoia nem se opõe a nenhuma religião, garante “a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança”, por que os cidadãos, que na sua maioria se dizem cristãos, seguem os ensinamentos e o testemunho de Jesus Cristo, ainda tem atitudes que violam esses direitos? Ou se não violam os direitos, por que não ajudam a garanti-los? Por que a vida do outro não me interessa? Acredito que falta um pouco de empatia da nossa parte, precisamos nos questionar: E se fosse comigo? Quando acontece com a gente, a coisa muda de figura. Mas nos esquecemos que em algum dia, em algum lugar, em determinado grupo, você e eu somos “diferentes”, somos dotados de estereótipos que não são comuns e podemos sofrer discriminação e preconceito. O que realmente importa é o que trazemos no nosso coração, é a capacidade de amar que existe em nós, isso sim nos diferencia uns dos outros e não os dígitos da conta bancária, a cor da pele, o estilo do cabelo, o lugar onde se mora, etc. Teria muitas coisas para desenvolver nossa reflexão a partir do que foi colocado aqui, mas o espaço é curto. Boa semana…

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!