Diocese de Uberlândia Em Destaque

Paróquia Bom Jesus celebrou os 50 anos de caminhada paroquial

Em missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Paulo Francisco Machado, a Paróquia Bom Jesus, situada na Av. Marciano de Ávila, 422, no Bairro Bom Jesus, celebrou ontem (20) o seu Jubileu de Ouro: 50 anos evangelizando vidas!

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Pela manhã, a Paróquia ofereceu a todas às famílias que compõem o setor paroquial diversas atividades sociais, no Centro de Pastoral. E, à noite, houve a celebração eucarística pelo Jubileu Paroquial.

Ricardo Pacheco é paroquiano da Bom Jesus há mais de 25 anos e contou ao ELODAFE quais foram as atividades realizadas pela manhã, além de descrever o seu sentimento diante desta grande festa:

“Pela manhã, tivemos a presença da Polícia Ambiental e do DEMAE, que vieram fazer a conscientização de todos, tivemos também a presença de profissionais da área da saúde, médicos e enfermeiros que realizaram aferimentos de pressão, medindo também o nível de glicose. Profissionais do SENAI vieram demonstrar um pouco sobre os cursos profissionalizantes que eles oferecem, além de brinquedos recreativos para todas as crianças. Momento de muita alegria pra todos nós! Eu já estou na Paróquia a quase 26 anos e é para nós uma satisfação muito grande em fazer parte desta comunidade, compondo esta história.”

Momentos antes do início da celebração, Pe. Willians Soares, pároco, fez uma pausa em seus trabalhos e conversou com o ELODAFE sobre este tempo à frente da comunidade paroquial. Confira:

“Nós, neste tempo de caminhada, – estou há 6 anos aqui na Paróquia -, podemos notar alguns elementos fortes que foram os pilares desta história que nós construímos até aqui. Um dos eixos foi procurar uma maior união entre as comunidades, pois notamos que elas eram muito autônomas e pouco caminhavam em comunhão e partilha e notamos que houve uma sensibilidade nesse sentido.

A espiritualidade foi investida com bastante atenção, com encontros orantes, momentos fortes nos meses temáticos; Nosso retiro espiritual foi um grande destaque na vida da nossa Paróquia.

Nós investimos na catequese familiar, como um meio alternativo de alcançar a família e chama-la para a responsabilidade evangelizadora das crianças, abrindo espaço não só para aqueles que estão na catequese, mas atingindo a família como um todo.

Dois outros destaques são as missões, que nós conseguimos uma mobilização muito interessante com a participação alegre, compromissada e com a partilha entusiasmada das pessoas que participavam nas festas das comunidades e também no mês missionário, bem como algum resgate de atividades sociais muito importante aonde sentimos uma mobilização e o empenho da comunidade”, salientou.

No início da Santa Missa, os paroquianos receberam o andor da Imagem do Senhor Bom Jesus juntamente com as 19 capelinhas que representavam os setores atendidos pela Paróquia Bom Jesus, além das Comunidades Nossa Senhora de Lourdes e Santíssima Trindade.

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Segundo Pe. Willians Soares, as capelinhas do Bom Jesus “vieram fortalecer os setores, as pessoas se encontraram como cristãs, partilharam a palavra, foram ao encontro de pessoas que estavam afastadas, trazendo testemunhos de fé muito ricos”.

Dom Paulo Francisco Machado, bispo diocesano, presidiu a celebração jubilar. Em sua homilia, convidou os paroquianos a se lembrarem de todos os benfeitores das comunidades, de todos aqueles que se fizeram presentes e importantes nessa história de fé. Em seguida, entoou junto com os fiéis o canto do Magnificat: “O Senhor fez para nós maravilhas; Santo é o seu nome”, como uma forma de agradecimento pelas graças recebidas nestes 50 anos de caminhada.

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Confira abaixo o discurso na íntegra de Pe. Willians Soares:

Ao saírem da Igreja Matriz, os devotos do Senhor Bom Jesus apreciaram uma bela apresentação da Banda do Exército que compareceu para abrilhantar ainda mais o dia festivo que terminou com uma confraternização no Centro de Pastoral.

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Alocução Jubileu

 

20 de dezembro de 2014.

 

“Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8). Verdade inaudita de Deus, o Verbo encarnado que faz história e veio habitar entre nós. Mais uma vez teremos a graça de celebrar o inédito de Deus no Natal. Verdade tão antiga e tão presente que nos desafia a acolher o mistério de Deus revelado em seu Filho amado do qual nos tornamos seus discípulos missionários, formados por sua santa Palavra como anunciadores e testemunhas do Reinado de Deus.

Em forma de paráfrase, partilho essa singela reflexão em alusão a nossa Paróquia ontem, hoje e no futuro. Digo futuro por julgar o termo mais apropriado para uma realidade eclesiástica, pois o termo “sempre” da passagem do livro aos Hebreus pode evocar o sentido de absoluto, o que melhor se refere a Deus mesmo.

O tema em questão é o Jubileu de ouro de nossa estimada Paróquia Bom Jesus, cinquenta anos de história, evangelização e transformação de vidas a luz do Reinado do Senhor. Por Jubileu entendemos tempo de partilha, vida em abundância, reconciliação, restituição dos bens, enfim, restabelecimento da ordem desejada por Deus. À luz desse significado apresento as marcas mais expressivas dos sinais de Deus e o reconhecimento de nossas faltas ao longo desse tempo.

Ontem

Pelo termo ontem me refiro ao passado da Paróquia, de sua criação aos dias mais recentes. Para chegar a esse dia comemorativo e celebrativo nós nos preparamos por cinco anos. Esse fato somente se tornou possível pelo envolvimento e compromisso de inúmeras pessoas. À frente estavam os conselheiros de pastoral, econômico-administrativo, lideranças da Paróquia e a Comissão do Jubileu. A cada ano uma década era remorada e hoje nos encontramos exatamente na derradeira década. Durante esse tempo nos emocionamos ao recordar tantas experiências ricas, revivemos os fatos que nos constituíram enquanto Paróquia, reconhecemos melhor nossa identidade. Não se tratava de uma mera retrospectiva que pudesse inchar o nosso ego e sim releitura de nossa história de fé, do modo como Deus nos constituiu até aqui e é isto que recordo em sucintas palavras.

O primeiro grande sinal se constituiu na instalação da Paróquia Bom Jesus. Esta aconteceu em pleno curso do Concílio Ecumênico Vaticano II. Um novo pentecostes acontecia para a Igreja e nesse contexto a Paróquia era chamada a corresponder na “recepção” do Concílio. As intuições, propostas e caminhos aludidas no Vaticano II apresentavam-se para serem acolhidas pelas comunidades de fé tendo como um critério de verificação o senso dos fiéis. Aqui tivemos iniciativas que demonstram a acolhida do Vaticano II.

A Paróquia Bom Jesus foi a primeira na Diocese a investir os Ministros Extraordinários da Eucaristia. A valorização da missão do leigo começava a acontecer e se tornara mais efetiva pela criação dos Conselhos, se constituía assim uma Igreja de participação e comunhão. A formação dos fiéis, uma marca dessa Paróquia, que teve seu início com o estudo dos textos do Concílio. O Movimento familiar cristão foi trazido para o Brasil quando ainda a Pastoral Familiar não era uma realidade instituída. A vocação para o social manifestava a solidariedade com os mais pobres, uma Igreja “ad extra”, para além dos seus muros. Se a árvore é boa pelos seus frutos, a Paróquia Bom Jesus pode apresentar entre estes e outros as suas filhas, novas paróquias que surgiram de seu ventre materno quando ainda no passado suas dimensões geográficas ocupavam boa parte dessa cidade de Uberlândia.

Essas são umas das marcas que ficam para os registros dos corações dos fiéis. Conforme se diz na Paulo na segunda carta aos Coríntios, “vós sois uma carta de Cristo, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus (2 Cor 3,3). Mais que o registro histórico, atas, somos o livro da vida que Deus se inscreve na história.

Essa história tem personagens. Assim me refiro pelo gosto pelas narrativas, mais que o discurso racional, o que fica é aquilo que é capaz de falar a nossa consciência em sua percepção, sentimento, inteligência, afetividade e imaginação. Sem me perder em digressões cito os personagens, no cuidado de não cometer o grave de pecado de citar nomes e assim não me esquecer de ninguém. Lembro o autor e suscitador dessa empreitada, Deus mesmo, fostes tu Senhor quem nos conduziu até aqui e é por vossa graça que existimos e nos tornamos capazes da missão. Vós destes pastores para o vosso povo, os bispos, os padres oblatos e diocesanos e diáconos, não nos deixastes desassistidos com a vida e missão das consagradas, colaboraram conosco seminaristas e jamais deixastes faltar o vosso povo que carrega essa história viva em seus corações com o testemunho e presença missionária.

Por aqui vou concluindo essa parte, mas, antes mesmo de passar para a reflexão sobre o “hoje”, convido todos a nos unirmos em oração pelos fiéis que vivenciaram sua Páscoa e deixaram suas marcas ao longo desses cinquenta anos.

Um minuto de silêncio.

Hoje

Sobre o tempo presente aponto dez indicações que marcam o tempo atual. Aspectos que ressaltam “os sinais dos tempos” para nós. Conforme na Palavra de Deus, os números tem valor, me permitam tomar a liberdade de criar um neologismo. A cada tópico penso que ao menos cinco décadas foram necessárias para que eles desabrochassem, 10 x 5 = 50, Jubileu de Ouro. Vejamos ponto por ponto:

1) No mês de novembro nós chegamos ao 15º Retiro espiritual de nossa Paróquia, há sete anos e meio nós o realizamos, sendo que os últimos tivemos que pensar como fazer para acolher o número de pessoas que querem participar. Temos chegado a quantidade aproximada de 130 retirantes. E o que dizer das ressonâncias pós-retiro?;

2) As missões em animação as festas das comunidades e nos mês de outubro proporcionaram experiência de uma Igreja em saída, fomos ao encontro dos irmãos, participamos da experiência reveladora de Deus àqueles que se abrem ao novo, ao inaudito;

3) A Escola da Fé completou dois anos e meio de existência. Contamos hoje com um número médio de 70 participantes que se capacitam a cada dia, voluntários, instrutores, e a equipe coordenadora. Muito mais do que estudo da Palavra, temos testemunhado um verdadeiro encontro com Deus por sua Palavra;

4) Os jovens estão presentes na comunidade de uma forma ou de outra. Eles se comprometem com animação de canto e liturgia, catequese, com o social, organizam a Via-Sacra e Musical de Natal e o Encontro “Relação”. Mesmo em meio aos conflitos se mostram afinados com a comunidade.

5) O curso de Informática retomou as suas atividades. É razão de grande alegria ver as pessoas motivadas por adentrar a esse universo da tecnologia e conhecer cada vez mais. Surpreendente foi ver a procura, vivemos a ambígua situação da fila de espera quando não sabíamos se formaria turma. Além dessa, outras atividades sociais seguem perseverantes.

6) Os Conselhos funcionam regularmente, por eles rezamos, refletimos, escolhemos e decidimos em nome das comunidades e da Paróquia. Uma ação coletiva, solidária e de partilha. É a Igreja acontecendo.

7) Adentramos a igreja Santíssima Trindade. Os fieis trabalharam muito para chegar a esse objetivo. O Templo foi abençoado e se encontra em fase de acabamento em seus últimos detalhes. Uma comunidade permanece como missão de edificar o Corpo de Cristo.

8) A comunidade N. Sra de Lourdes também alcançou um sonho, adquirimos uma casa que veio a se tornar o Centro pastoral São Camilo de Lélis. Lugar simples, apertado, mas é lá que a comunidade vê os seus sonhos se concretizarem no intuito de melhor evangelizar.

9) Nesse ano Jubilar os Setores da Paróquia passaram a uma nova etapa. As pessoas relatam com alegria o encontro com os irmãos, a partilha da Palavra, as orações, as pessoas redescobrindo a fé, a visita das Capelinhas do Bom Jesus aos lugares mais necessitados.

10) As nossas ações evangelizadoras visam todas as pessoas. Do nascimento, quando acolhemos a família com a criança para o batismo à atenção a toda família, juventude, vida conjugal, casos especiais e a idade adulta com ações e movimentos que atendem nossos irmãos.

Não nos enganemos, nem tudo aqui é um mar de rosas. Ao longo desses tempos nossa história foi marcada por fragilidades, divisões, por vezes pouco entusiasmo… Por nossos pecados, peçamos perdão. Mais uma vez convido ao silêncio.

Um minuto de silêncio.

Futuro

Falar do futuro escapa nossas possibilidades de fé. Nós falamos daquilo que “vemos, ouvimos e tocamos, o Verbo da Vida”, (I Jo 1,1) o mistério revelado. Ainda assim, há teólogos que se arriscam em apontar intuições. Não vou além disso, ao mesmo tempo, não deixarei de me arriscar. Diante disso, a pergunta que faço como proposta de reflexão assim se articula: Que Paróquia teremos no próximo Jubileu em comemoração aos seus 100 anos? Por aqui já se comenta sobre o assunto. Em resposta a essa pergunta decidi não especular, apenas rezar:

Convite para ficarmos em pé

“Pai, a ti confiamos nossos caminhos,

somos imensamente gratos por nossa história,

cada vida doada, mãos que ofertam, coração partilhado,

assim se constitui essa porção do povo de Deus.

Obrigado Senhor, pelos irmãos no ministério que por aqui prestaram serviço ao vosso Reinado,

bispos, padres e diáconos,

pelas consagradas que servem segundo seu carisma,

pelo seminaristas que se formam e auxiliam nessa caminhada,

por todo o povo que é vosso, a quem nos confiastes como pastores.

Venha Senhor em nosso auxílio para que sejamos o mais fiel ao seu chamado,

não nos deixe faltar com amor para com os mais pobres, vossos preferidos,

possa arder em nosso coração o zelo pela missão hoje e sempre.

Os nossos caminhos se identifiquem com o do nosso Bom Jesus,

que possamos ser guiados ao encontro do Pai eterno,

o Espírito nos favoreça com seus dons e carismas,

Nossa Senhora de Lourdes, nossa querida mãe, interceda a Deus por nós.

Amém! Amém! Amém!

 

Pe. Willians Soares Silva

Pároco

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