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Pe. Itamar de Almeida Machado: 32 anos de serviço à Igreja

Ele é natural de Tupaciguara – MG, adora arroz com jiló [cozidos juntos] e de pamonha no café da tarde. Nasceu em 16 de junho de 1952, é filho de Isaltino de Almeida e Oneida de Souza Almeida e tem 6 irmãos, dos quais dois já são falecidos. Ele é padre e seu aniversário de ordenação presbiteral é hoje, 01 de Agosto, sugestão de seu bispo à época, d. Estevão Avelar [2º bispo titular da Diocese de Uberlândia], para coincidir com o mês vocacional. Seu nome é Itamar de Almeida Machado, mas nós poderíamos chamá-lo também de Sr. “disponibilidade”.

O Centro de Comunicação Diocesano acompanhou um dia na vida de padre Itamar que desde as 6h da manhã já está de pé. De segunda a segunda, com exceção das terças e quintas, ele presidi a celebração eucarística na matriz de sua paróquia, São Judas Tadeu, no bairro Roosevelt. Por dia, são duas celebrações; uma às 7h e outra às 19h.

Em atenção ao seu 32º aniversário presbiteral, nós o acompanhamos nessa quarta-feira (31). Como de costume, ele se levantou, cumprimentou-nos amigavelmente: “então quer dizer que o senhor vai rezar hoje” e, juntos, saímos. À porta de casa, reclamou do trânsito e de sua intensidade já de manhã. Chegamos à igreja São Judas Tadeu às 6h45. Ele seguiu direto para o seu escritório. Paramentou-se, sentou-se à mesa e folheou alguns comentários bíblicos, e guardou silêncio. Ás 07h05 deu início à celebração. O texto evangélico não poderia ter sido mais oportuno para a ocasião: alusão ao “tesouro escondido” (cf. Mateus 13, 44 – 46). Perguntada, uma paroquiana da pastoral de canto litúrgico, Iranilza, salientou que “Pe. Itamar é como esse homem do evangelho de hoje: ele encontrou este tesouro. E, ao encontrá-lo, não o guardou para si, mas o transmitiu a todas as comunidades por onde passou e agora o transmite a nós, paróquia São Judas Tadeu”, disse emocionada. Ás 07h35, Pe. Itamar encerrava o ato litúrgico, sereno e forte, como disse uma outra paroquiana.

No período da manhã dividiu sua atenção com a cúria diocesana – onde é coordenador de pastoral – e a secretaria de sua paróquia. Sempre disponível; “muitas vezes eu ia ao seu encontro, pois precisava lhe falar, e perguntava-lhe: o senhor vai sair, padre? Eu via que ele já estava saindo, mas ele, retornando, dizia-me: ‘não, madame Cristina, não vou não; pode falar’”, confidenciou-nos uma amiga sua de longa data, Maria Cristina Martins. Aliás, “madame” é quase um pronome de tratamento que ele atribui a toda e “qualquer” senhora, sendo ela distinta ou não. Esta é uma forma de demonstrar respeito e dizer a elas que são todas igualmente especiais. Segundo Isis Maritani, agente da coordenação diocesana de catequese e amiga de Pe. Itamar desde o tempo da juventude, dos encontros de jovens na Catedral, “ele sempre foi um amigo, um companheiro. Alguém de uma sensatez e de uma humildade inquestionáveis”. Já para Horácio Nelson, paroquiano da São Judas Tadeu e amigo pessoal de Pe. Itamar, “ele é um pastor que caminha com as ovelhas, sempre disponível para o trabalho de construção do Reino. Sacerdote próximo do povo, despojado de tudo, e sempre pronto a acolher os mais necessitados”.

O reconhecimento ao trabalho e à humanidade de Pe. Itamar são também sentidos no meio do clero. Para o diácono transitório, Eduardo César, que desde Abril vive em comunidade na casa paroquial da São Judas Tadeu, juntamente com os outros dois diáconos transitórios, Claudemar Silva e Marco Aurélio, “Pe. Itamar é um dos poucos homens que conheço que, com alegria, consegue reunir a experiência do tempo (saboreando-a) com o frescor da jovialidade, que anseia por transformação. Sem falar, é claro, em sua generosidade e hospitalidade, que dão prova de que ele entendeu o que é ser cristão”, afirmou o diácono. Para o colega de presbitério, Pe. João Carlos Araújo, pároco da Paróquia São Mateus, no bairro Finotti, com quem conviveu nos primeiros anos do seu ministério presbiteral, “falar do Pe. Itamar é se referir a acolhida, solidariedade e amor à Igreja”.

O período da tarde, no entanto, foi marcado por exéquias. Fomos a duas juntos; uma, inclusive, do pai de um colega seu no presbiterado. A outra, do irmão de uma paroquiana sua e a terceira da mãe de um diácono permanente. À noite, como de costume, Pe. Itamar presidiu sua segunda eucaristia do dia.

O ELODAFÉ tem o prazer de trazer até os nossos leitores, na abertura do mês vocacional, a entrevista que Pe. Itamar de Almeida Machado nos concedeu na sala de sua casa, na manhã dessa quarta-feira, logo após o almoço. Disponível, e sempre falando na primeira pessoal do plural, uma forma de contemplar os muitos que contribuíram e contribuem para com o seu ministério, disse-nos, ao lhe solicitarmos: “claro que sim”. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

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ELODAFÉ: Pe. Itamar, neste ano, mais precisamente amanhã [hoje], dia primeiro de agosto, o senhor celebra o seu 32º aniversário de ordenação presbiteral. Como o senhor entende a vocação presbiteral e como o senhor se sentiu chamado a ela?

Pe. Itamar: A vocação presbiteral é, antes de tudo, um chamado de Deus. E disso nós não podemos ter dúvidas. Uma vocação que eu sentia desde pequeno. Eu iria para o seminário aos nove anos, mas a família achou que não era o momento. Então quando eu completei vinte anos eu fui. Fiz o curso de Filosofia em Brasília e depois fui para Belo Horizonte, onde fiz o curso de Teologia. Sempre tendo em conta este chamado de Deus à frente de tudo.

ELODAFÉ: Que lembranças o senhor tem do início de sua caminhada vocacional?

Pe. Itamar: O período de toda a minha formação não foi fácil, pois foi logo após o Concílio Vaticano II (1962 – 1965), que estava chegando e sendo assumindo com uma Igreja muito desestruturada. Quando eu terminei o curso de teologia eu previa ficar um ano como diácono, mas não foi possível, pois o bispo (d. Estevão Avelar), queria que fosse ordenado no mês de agosto. Aí então eu pensei no último dia do mês de agosto, mas ele me disse que estava pensando no primeiro dia do mês para “abrir” o mês vocacional. E isso já era dia 15 de julho. Então nós tivemos apenas 15 dias para prepararmos a ordenação. Mas de qualquer forma eu já estava trabalhando em uma paróquia [Nossa Senhora do Rosário, de Araguari], então para mim não foi complicado fazer essa passagem, do diaconato para o presbiterato.

ELODAFÉ: E depois?

Pe. Itamar: Eu ordenei e já estava trabalhando na paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Araguari. Eu a assumi como diácono e depois da ordenação eu continuei atendendo lá. Na paróquia Nossa Senhora do Rosário eu devo ter ficado por volta de dois anos e sete meses. Depois fui transferido para Uberlândia para a paróquia São Pedro, onde devo ter ficado um ano e meio mais ou menos. Depois fui transferido para a paróquia Nossa Senhora Aparecida [hoje santuário diocesano] onde permaneci sete anos. Durante o tempo que fiquei em Araguari eu fazia atendimento também em Indianópolis, na paróquia Santa’Ana. Depois de sete anos à frente da paróquia Nossa Senhora Aparecida, eu fui enviado a Belo Horizonte como reitor do seminário maior da diocese de Uberlândia onde fiquei por seis anos. Além do seminário, nós tivemos lá uma paróquia também, a paróquia São Domingos, onde eu trabalhei juntamente com os seminaristas.

ELODAFÉ: E a São Judas Tadeu, quando entrou em sua vida?

Pe. Itamar: Quando eu voltei de Belo Horizonte eu fiquei reitor da filosofia aqui durante um tempo enquanto atendia a paróquia recém-criada, Cristo Redentor. La eu permaneci durante cinco anos, e, depois desses cinco anos, eu fui transferido para a paróquia São Judas Tadeu onde eu estou há 10 anos [completados em 28 próximo]. Em todos os lugares por onde eu trabalhei foi um processo gratificante; por parte da própria comunidade e dos paroquianos que têm me ajudado muito. Na paróquia São Judas Tadeu, devido ao tempo maior, nós conseguimos dividir a paróquia e estruturar outra paróquia [Santa Rosa de Lima], assumindo a realidade nova de outro território, desenvolvendo todo o trabalho com a ajuda da comunidade. Isso foi muito gratificante, tanto para mim quanto para a vida da própria paróquia.

ELODAFÉ: Pe. Itamar, analogamente à maioridade civil, poderíamos dizer que, cronologicamente, o senhor já atingiu a maioridade presbiteral há muito tempo [risos]. Fazendo uma espécie de síntese de sua caminhada até aqui, como o senhor avalia o seu ministério?

Pe. Itamar: [risos] Nós, para assumirmos esta vida presbiteral, temos que nos tornar pessoas desprendidas. Porque se for para assumi-la como qualquer outra profissão, ela perde totalmente o sentido e nós não teremos condições de valorizar aquilo que deve ser valorizado. Todo o caminhar da gente deve sempre brotar de um desprendimento total, colocando as coisas de Deus em primeiro lugar, trabalhando muito junto ao povo, por que a vida presbiteral é para isso também, a fim de participar da própria realidade do povo. Isso nos ajuda muitíssimo a reabastecermos a [nossa] espiritualidade presbiteral.

ELODAFÉ: Pe. Itamar, nós agradecemos muitíssimo ao senhor pela oportunidade do diálogo e lhe desejamos um frutuoso ministério. Parabéns pelo seu 32º aniversário presbiteral.

Pe. Itamar: Eu agradeço ao CCD pela oportunidade que está dando para a gente se manifestar em relação a todo o caminhar de vida que tivemos, inclusive em relação ao ser padre.

4 comentários

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  • Nós Agradecemos muito a Deus,por ter permitido que Padre Itamar fosse nosso pastor por esses
    10 anos.Com ele aprendemos que, ser verdadeiros Cristãos é ter uma fé viva e perseverar sempre tendo igualdade,fraternidade,desprendimentos ser disponivel ao serviços da messe, e ser Empreendedor. Parabéns Padre Itamar Deus
    te Abençoe te guarde e zele pela sua vida.

    Nós somos membros ativo na Comunidade N.Senhora Rainha da Paz.

  • Aprendi a amar padre itamar quando pude trabalhar com ele mais de perto.Descobri que e um homen generoso e a ex do PAPA despojado das coisas materiais.
    Sempre colocada nas palavras a nossa missao,e as vezes os paroquianos nao conseguem entender,mais tenho a certeza de que o que ele quer e que saibamos o nosso verdaeiro papel
    cristao na sociedade.Estou feliz de participar com padre Itamar nesta paroquia;espero poder colaborar para que nossa igreja cresça na fe e seja mais acolhedora.

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