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Reflexão (09/06) Monsenhor Paulo Daher

10° Domingo do Tempo Comum
09/06/2024

Em Marcos, 3, 20-35, Jesus voltou para casa com os discípulos. De novo reuniu-se tanta gente que eles nem sequer podiam comer. Os parentes de Jesus vieram para leva-lo, porque diziam que estava fora de si.
Jesus era incansável e os apóstolos o seguiam de perto em tudo. Não se preocupava com nada que lhe dissesse respeito, como descanso, alimento.
Só se importava com as pessoas que vinham procura-lo, na sede de sua palavra, ou na fé em que podia curá-los de suas doenças.
De fato, para quem não tinha esse desejo que Jesus tinha, tudo isso era uma loucura…
Eu não saberia explicar essa de seus parentes.
Vou pensar e escrever o que suponho talvez tenha acontecido.
Em primeiro lugar, tenho a certeza de que Nossa Senhora não estaria
nessa.
Para alguns parentes e patrícios de Nazaré, deveria ser meio estranho o que estava acontecendo com Jesus, pois eles o conheciam desde criança.
Nada de extraordinário havia acontecido com ele em sua família até aos trinta anos. Era considerado, como foi, carpinteiro, filho de José. Até quando foi a Nazaré não conseguiu (não que não o quisesse!) fazer nenhum milagre, porque não acreditavam em seu poder divino. (Mt 13, 53-58).
Talvez por vergonha de ouvirem as pessoas falarem: Jesus de
Nazaré, da terra de vocês é louco, está cometendo loucura e arrastando multidões após ele, considerado como um louco. Olhem Jesus de Nazare está fazendo milagres! Que loucura. Não é possível. Que vergonha para nossa cidade.
No oriente, como em qualquer cidade pequena, é assim até hoje.
Quando o padre S. João Bosco recolhia crianças e adolescentes abandonados de Turim e os levava para jogar bola nos campos, ou começou a recolhê-los num galpão que alugou, os padres de sua diocese o consideraram um louco. Foram até com uma carruagem para leva-lo para o manicômio. Só que ele os iludiu e os meteu na carruagem, pedindo ao condutor que os levassem para o manicômio.
Jesus era louco sim, é louco sim. Mas de um amor infinito por todos nós. Até hoje tem todo o tempo por nós e muito amor para cuidar de nós.
Os mestres da lei disseram que Jesus estava possuido por Beelzebu, por isso é que expulsava os demônios. Jesus respondeu: “se o demônio expulsa os demônios, será destruído por ele mesmo… Todo pecado poderá ser perdoado, menos a blasfêmia contra o Espirito Santo.
Belzebu era o nome comum que os judeus davam ao príncipe dos demônios. A afirmação dos mestres da lei judaica em sua inveja e maldade mostra que nem perceberam o que estavam dizendo. Por isso Jesus responde à ignorância deles. De fato se belzebu é o chefe dos demônios e Jesus expulsa os demônios das pessoas, claro que Ele é inimigo deste chefe.
Quando a inveja toma conta de nossos sentimentos temos reações as mais diferentes. Ela é um pecado capital, isto é, é porta aberta para muitos outros erros e vícios. Invejar é sentir tristeza do bem que os outros tem e de sua aceitação amiga das pessoas. Ela tem também relação com o egoísmo.
Quer dizer: só eu sou o tal e ninguém mais. Se não consigo o que os outros conseguem, se alguém chama à atenção das pessoas por sua bondade, logo me sinto diminuído.
Quase toda a reação dos judeus que não aceitavam Jesus era por inveja,(Mt 27,18) pois viam que o povo seguia aquele galileu que nem frequentou nenhuma escola rabínica e falava bem, conseguia arrastar multidões com sua palavra e fazia tantos milagres. Por que só Ele e não nós, os chefes?
Até os espíritos maus que eram expulsos de algumas pessoas confessavam em alta voz: Sabemos quem tu és, tu és o Santo de Deus! (Mc 1,24).
Jesus fez uma afirmação séria: todos os pecados poderão ser perdoados menos a blasfêmia contra o Espírito Santo. Que é isto?
O Espírito Santo é o Amor, o Amor de Deus. Assim como uma pessoa incapaz de amar nunca poderá ser feliz, quem não aceita o Espírito Santo que é o amor do Pai e do Filho, está se afastando da fonte de toda a felicidade. Não é Deus que condena tal pessoa. Ela é que se afasta da fonte da felicidade. Quem nega o amor, nega a vida.
Se alguém que nos ama muito, nosso pai, mãe, esposa, amigo sincero e eu lhe digo: não quero seu amor, você não me interessa, é como se nem existisse. Ora ninguém pode viver sem amor, sem amar. É como o sangue que corre em nossas veias. É como um coração que bate com saúde.
A pessoa que não quer amar alguém, não quer a pessoa. Quem não quer amar a Deus, que é Amor, ele mesmo não quer o perdão, que seria estar ligado com o Amor. Ele é que não quer ser perdoado.
Jesus estava rodeado de uma multidão a quem ensinava.
Vieram dizer a Jesus que sua mãe e seus parentes estavam lá fora querendo falar-lhe. Jesus respondeu: quem são meus parentes e minha mãe?
Os que cumprem a vontade de meu Pai que está nos céus,são os meus parentes e minha mãe.
Pode parecer dura esta resposta de Jesus… Mas ele sempre aproveita de todas as ocasiões para ensinar algo mais.
Mesmo que sua mãe tivesse vindo, isso não importa, pois melhor do que ela não há quem tenha obedecido a esta vontade divina(Lc1, 38),
Naquele momento Jesus queria ensinar que todo o amor é sagrado, mas o amor a Deus que é manifestado por cumprir sua vontade, por obedecer-lhe em tudo, é que dará sentido ao amor dos pais, dos irmãos, dos amigos e para todos. Ou melhor não conseguiremos amar de fato as pessoas, se nosso amor não for iluminado pelo amor de Deus.
Fazer a vontade do Pai é seguir nossa consciência moral reta e certa, orientada pela religião. E esta não apresenta só para nós regras de bem viver. Ela mostra nos exemplos dos santos que seguir o plano de Deus, e com sua ajuda, é o melhor caminho para realizar nossa vida.
Obedecer à vontade de Deus é um ponto de partida, Nós podemos não conhece-la formalmente, mas está gravada em cada um de nós.
Por sermos imagem e semelhança de Deus, a nós já está impresso em nossas mentes e coração tudo o que Deus nos dotou para realizar-nos como seres inteligentes e livres. Caminhando na vida, aos poucos vamos descobrindo tudo o que Deus fez em nós para nossa felicidade, e somos ajudados pela vida e pela luz de Deus, principalmente pela fé, para aceitar e seguir o que nos leva à realização de nossa vida.
A vontade de Deus, o que Ele deseja para nós e pede de nós, não é como uma ordem qualquer, de alguém que quer mandar em minha vida.
Seria como, devendo fazer uma viagem para um lugar desconhecido, para realizar uma tarefa, eu tivesse de me sentar, verificar os caminhos que me levam para lá, os meios que irei usar durante a viagem, e preparar tudo o que facilitar chegar lá sem perigos e são e salvo e conseguir realizar o trabalho que me foi proposto. Seria como o Mapa de minha Vida.

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