Reflexões Dominicais

Reflexão Dominical: 33º domingo do tempo comum

A Igreja nos reúne neste XXXIII Domingo Litúrgico para ouvir, meditar, rezar e celebrar toda a esperança sob a forte luz do evangelho de Lucas 21,5-19, este texto chamado de apocalíptico, por Jesus colocar às claras o que se dá neste mundo e tempo, mas além do que poderia ser obscuro aos olhos dos discípulos, Cristo os possibilita enxergar uma realidade amparada por Deus Pai.

Ser cristão não é possível sem seguir Cristo, donde até mesmo o chamamento discipular deriva da ação do mestre. Então conforme Cristo viveu e ensinou lembramos-nos do último XXXII, quem crê na Ressurreição vive com a certeza que pertence somente a Deus Pai, esta certeza de ser filho (a) conduz ao exercício da fraterna igualdade, donde o não querer de forma alguma dominar ou manipular outra pessoa, mas ajudar como o mestre/irmão Cristo a libertar também o outro irmão (ã), quem seja, a participar desta vida sem limites. Para isto toda situação particular ou sistêmica de opressão deve ser não só rejeitada como também eliminada por completo.

Acompanhando Jesus os discípulos, e nós ao longo do ano litúrgico, pudemos dar passos vendo e ouvindo a cerca do Plano/Reino de Deus, este que como Cristo se distancia do que foi construído até mesmo com a ajuda de uma religião interesseira, porque onde a religião se mistura com o poder temporal afasta as pessoas de Deus e envenena a esperança, pela experiência do abandono e enfraquecimento da imagem divina, a pessoa e todo o povo se tornam presas fáceis e massa de manobra dos poderosos (Lc. 21,3-4). Portanto esse esquema não pode fazer brotar e refletir o Reino do amor fraterno, por isso Jesus se afastou dos poderosos “inconvertidos” e do templo covil de ladrões. No entanto, seus discípulos ainda têm nos olhos o brilho e esplendor do poder das forças temporais e materiais, eles olham as pedras e ofertas do templo e se maravilham, pensando que é isto o sinal de sua esperança e durabilidade da segurança terrena, mas não olham com os olhos do mestre, que justamente enxerga que isto tudo que foi construído e ainda está tendo por base a dominação e exploração, principalmente dos mais pobres, que como a viúva eram sugados até a ultima gota de sangue por esse “deus” vampiro (Mc 12,40).

Jesus os alerta que este reinado de exploração está se destruindo e não irá sobrar “pedra sobre pedra” (Lc. 21,6). O Reino definitivo se aproxima como graça deste Deus Pai amor que cuida de todos, os tendo como seus filhos e filhas. É muito interessante Jesus dizer que isto que eles admiram irá acabar e não ficarem espantados, mas se mostram já esperando esse momento. Como é possível isto? Simples, quem admira o poder imposto é justamente por esperar uma hora para impor-lhe sobre outros. Esta é a vingança que os discípulos aguardam desde o profeta Daniel 9,24-27, onde Deus diante da destruição de Jerusalém dará a vingança que mudará o rumo da história, a nação que foi esmagada poderá então passar a esmagar os outros. Jesus, porém diz “cuidado” (Lc. 21,8) para que essa esperança de vingança não seja a causa de frustração, pois a maior frustração é esperar dos outros o que está dentro de si mesmo, e dentro do plano de Deus não existe vingança partidarista, por isso os discípulos não devem seguir pessoas vingativas, mesmo que essas pessoas usem o nome de Cristo, ou seja, se digam “cristãs” – “não sigais esta gente!”, muita gente em nossos dias traz esses dizeres como forma de cooptação dos contrários e como forma de silenciar seus opositores, criando espaços de tirania por divisão dentro da própria instituição religiosa ou ambientes de convívio.

As guerras revoluções são justamente a caducidade dos sistemas humanos sem o senhorio de Cristo, Luz exemplar, mas como os discípulos confiam em Deus devem se manter firmes, nas palavras de Jesus “não fiqueis apavorados” (Lc. 21,9), pois para surgir o Reino de Deus Pai Amor é preciso que estes falsos reinos e propostas se desintegrem, porque o fruto deles é só fome, sofrimento e morte. Assim o verdadeiro discípulo, ou seja, aquele que confia em Deus Pai dará o seu testemunho na prática da fé, enfrentando essas três dimensões do poder 1- a religião que domina as consciências, 2- o governo que obriga as ações pela lei e 3- a família que manipula pelos interesses, estes que, sem o amor do Pai Deus, são capazes de matar qualquer pessoa que lhes oponha.

“Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc. 21,18-19). No plano de Deus que não é de vingança, mas de amor gratuito a todos, ninguém se perderá, pois se o fio de cabelo é talvez a menor parte de uma pessoa e esta pequena parte está aos cuidados de Deus. Maravilhoso já cantava Maria Santíssima, a pessoa que faz parte deste Reino de amor não perderá, não só o fio de cabelo, como não perderá sua existência ou seu tempo e esforços vividos nos valores do Evangelho, porque Jesus garante que Ele mesmo será seu, meu e nosso defensor (Lc. 21.14).

Eis o XXXIII Domingo do Tempo Comum ano “C”, não é necessário um sinal como um código a ser decifrado por um experto , mas é visível a ferocidade desse tempo, onde toda esta desestrutura em guerras, revoluções e violências, não é simplesmente um sinal para a vinda de algo novo, e sim a plena certeza que esse modelo de se viver pautado no poder e vingança lucrativa é absolutamente falho, porque seu recurso mais difundido é sempre a morte das pessoas. Fica evidente que o Plano/Reino de Deus sempre foi e continuará a ser o melhor para buscar, praticar, defender e viver. Que venha à festa de Cristo Rei. Vem, Senhor Jesus, Maranathá! (1Cor 16,22). Conforme Cristo, Nosso Senhor e Rei, pediu o discípulo amado (a) o faça isto em memória dele e até que ele volte, os cristãos estejam firmes, praticantes do Evangelho, alimentados pela eucaristia e na prática do amor fraterno, construindo dia a dia a experiência do Reino do Rei Amor. “Aquele que testemunha tudo isso diz: Sim, venho logo. Amém. Vem, Senhor Jesus. A graça do Senhor Jesus esteja com todos vós. Amém” (Ap. 22,20-21).

Por Pe.  Joéds Castro 
Padre da Diocese de Uberlândia 

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