Reflexões Dominicais

Reflexão Dominical: 6º Domingo do Tempo Comum

Homilia 6º Domingo Tempo comum – Ano A
Pe Joéds Castro
Padre Diocesano de Uberlândia

Caros irmãos e irmãs, o Sexto Domingo que celebramos, com fé na liturgia, nos aprofunda um pouco mais na imensidão do Reino de Deus. Recordemos que, para os cristãos, a prioridade é o Reino de Deus, que é uma vida tão maravilhosa no tempo presente que já parece realizado o céu na terra. E para isto ser alcançado, na vida das pessoas, se faz necessário ouvir e viver o Evangelho de Jesus, que é capaz de conduzir, orientando, as atitudes desta vida bela.

O Reino de Deus se difere dos reinos deste mundo, como Jesus está colocando diante dos olhos de seus discípulos, estes esperavam e Jesus garante, “o Reino é e já está no meio de vós” (Mt 5, 20). A forma como Jesus coloca a lógica deste Reino, nos auxilia muito, pois eles e nós também imaginamos que, para o Plano de Deus ser vivido, o plano das pessoas deve ser totalmente destruído. Mas Jesus nos centra no caminho correto, a trilha, da forma que Ele expõe, nos fornece uma informação importantíssima, o Plano de Deus está no coração do ser humano chamado, que necessita de boa orientação para não empreender-se num caminho desgastante em vista do objetivo. Portanto, a vida humana e seus desejos não são desviados do Plano de Deus, mas precisam ser bem orientados.

A Torá, sendo resumo do Antigo Testamento, como os “Mandamentos” e os “Profetas”, buscava como uma “flecha lançada alcançar o alvo”, a Lei queria levar as pessoas a alcançar essa vida melhor. Todavia, Jesus ao dizer das bem-aventuranças, parece que vai contra a ideia de grandeza de vida que se esperava em “grande poderio”, mas Jesus diz: “felizes na verdade são os pobres em espírito”. Por esse entendimento rápido e superficial, Mateus emite a correção de Jesus, utilizando a palavra “katalysai” em grego, que se compreende em sentido de “derrubar”. O som da palavra nos faz quase ouvir acontecendo uma “Catástrofe”, que vai derrubando as paredes das casas em que as pessoas estavam levando suas vidas de forma segura. Corrige Jesus, não vim destruir a Lei ou vossas vidas, mas vim levá-las à “plenitude”, expressada na palavra “plêrôsai” (Mt 5, 17 ).

Jesus, com o Evangelho, orienta pelo Reino a direção que se deve lançar a flecha da vida; para alcançar a vida na sua felicidade e plenitude, o faz colocando os “acentos” e “vírgulas” em seu devido lugar. Temos expressão similar, “colocar os pingos nos is”. “Eu garanto a vocês: antes que o céu e a terra passem, nem sequer uma letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se plenifique” (Mt 5, 18). Então a vida humana, não está no objetivo errado, mas é preciso destas “vírgulas” como pesos, que há de balancear as cargas, para não atrapalharem o caminhar para a meta de vida realizada.

Realmente a expressão, “Palavra de Deus”, tem muita importância às pessoas de fé, caso se retire um “acento” ou se coloque “vírgula” em lugar indevido, pode comprometer sua compreensão, o que condiciona, principalmente, a pessoa que tem desejo de levar sua vida em consonância com o Plano/Reino/Verbo de Deus. A seriedade dos Mandamentos de Jesus está, não em destruir a Lei dos Antigos ou um rigorismo legalista, a seriedade que Jesus nos faz refletir é da importância de compreender bem o Reino de Deus, para poder experimentar a vida que este Reinado oferece de segurança, bem-estar e boas potencialidades a plenificar vida.

Os discípulos naquele tempo, e nós, neste agora, são chamados à clareza e altura deste entendimento e desta vida praticada. Jesus expõe a importância de uma ordenação testemunhal que garante o sucesso e o fracasso para o discípulo com ligação concreta à vida alheia. “Quem desobedecer e ensinar, será considerado pequeno no Reino. Quem obedece e ensina, é grande no Reino” (Mt 5, 19). Queremos obedecer a Cristo? Queremos ser grandes ou pequenos na vida? Ainda, queremos mesmo, o Reino de Deus? Recordamos que o Reino de Deus não está para fora do mundo ou do tempo presente, mas garante Jesus, “o Reino está no meio de vós” (Mt 5, 20).

O Reino também é caracterizado como uma vida tão bela na terra que já parece o céu. Portanto, ser grande ou pequeno está relacionado com obedecer e desobedecer, em sentido de felicidade. Quem leva a vida orientada por Deus terá imensa, grandiosa alegria em sua vida e será considerada boa testemunha da Palavra, podendo ensinar tantos outros a experimentar esta vida plena. Um detalhe precioso, é quem muito pode fazer e é feliz, não quer ser sinônimo de tudo poder pela força, mas expressão de liberdade. Isto é ser grande no Reino, Pessoa livre (4º Domingo – pescadores) e que alcança a vida na sua plenitude de alegria. O ser pequeno é o oposto, não é ser um pouco menos tudo isso, é ser o contrário, não vive livre, está preso ao legalismo, vive de maneira infeliz pela busca do poder e leva outras a uma vida sem plenificação e sem graça. O cristão deve buscar, com todo seu coração e entendimento, entender o Plano de Deus e vivê-lo para seu imenso bem, em permanente ajuda aos outros, não só aos amados de perto.

Jesus trata de expor situações bem definidas e que são luzes nos caminhos utilizados pelos desejos e anseios humanos de vida plena. Poderíamos buscar um ponto para tão vastos conteúdos, sem pretensão alguma de sintetizá-los, ressaltando em Mt 5, 21-26, a atitude de proximidade, em Mt 5, 27-32, a dimensão da intimidade e em Mt 5, 33-37, o valor do caráter coerente. Tudo isto em vista do Reinado de Deus, como resposta ao desejo mais profundo, que a pessoa apresente, de plenificação da existência.

No discípulo de Jesus, o desejo não é viver um rigor legalista em alívio do passado e escapar do mau futuro, o desejo é de ultrapassar o fazer porque a lei lhe exige, mas viver as relações de tal modo que, seu coração esteja tomado de união sagrada com seus semelhantes, isto no mesmo reflexo de sua união com Deus. Nas igrejas sempre temos o altar diante de nós como Cristo diante e presente em cada irmão, aos quais como a Ele devemos estar próximos e oferecer nosso melhor, pois parece que não, mas nós somos o altar onde também Jesus se encontra com os que por nossa vida passam. Sempre importante se aproximar do altar, veja o padre, sempre que se aproxima deste o beija, gesto que todo cristão deveria fazer ao chegar às igrejas. Quem beija a pedra fria e sente o calor do amor sacrificial de Jesus Ressuscitado, jamais será frio e indiferente aos semelhantes. Com essa clareza aprenda a fazer o gesto, os padres não carregam os altares e os escondem para si, o altar é Cristo, Cristo vos ama e por amor lhes oferece a si em salvação.

O discípulo de Jesus está tão tomado de intimidade pelo Reino, que em tudo conduz à perfeita intimidade. Algo a se pensar, quem será que nos deseja por inteiro, Deus ou o diabo? Pelo que está posto em Mt 5, 27-32, parece que o demônio deseja a pessoa por inteiro, entre a vida de bem e de mal. Deus pelo contrário, não nos quer numa vida entre bem e mal, Deus deseja que tenhamos somente o que for bom. A vida do cristão deve ser orientada com essa firmeza. O texto nos diz do “cortar e jogar fora partes do corpo e até desprezar o corpo inteiro de pessoas pelo Reino”, isto nos lança diante da coragem e opção. A vida em Deus é mais valiosa do que o que para você, sua mão, seu olho, seu pé ou um forte prazer? Esses órgãos parecem indispensáveis, não por eles em si, mas diante de suas disposições para a vida em Deus. O cristão é mais íntimo e deseja mais o Reino por inteiro do que alguma parte de si.

Muito forte a colocação de Jesus, não a tomemos por menos, quem se toma por menos nunca estará por inteiro.
“Seu sim, seja sim e vosso não, seja não” (Mt 5, 37). Os pais e casais poderiam entrar em acordo mais rápido neste aspecto, facilitaria muito suas vidas e dos filhos, às vezes desorientados. Quem faz opção pelo Reino, à vida em Deus, não sente desejo ou se vale de outras coisas, por mais valiosas que sejam e importantes para se garantir, o cristão, ele mesmo, a cristã, ela mesma, é a garantia de sua vida e por isso seu testemunho é autêntico, não precisa jurar ou referir-se a algo maior que sua própria palavra, pois sua palavra na pratica é a própria Palavra de Deus. Grandeza belíssima de pessoa livre e feliz pelo Reino, a coerência do discípulo de Jesus é prova para toda sua orientação existencial e bom conselho na vida dos seus semelhantes, por ser pessoa da obediência ao ensinamento de Jesus, o cristão se oferece por inteiro em amor na prática do Reino.

É urgente em nosso tempo retomarmos os mandamentos do Senhor, a justiça do Reino. Procuremos a vida por inteira, procuremos a vida na sua plenitude. Em nada perde quem é coerente pelo Reino de Deus, pode até faltar “pedaços” e sobrar chagas e cicatrizes, mas uma vida inteira, intensa de realização e plenitude não se faz “pelas metades”. Queira os “pingos nos is” e a “vírgulas” pelo Reino, sua vida será feliz e nada lhe faltará. Amém.

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