Reflexões Dominicais

Reflexão Dominical: “Quem ama testemunha Jesus a todos!”

Quem ama testemunha Jesus a todos!
Homilia 2º Domingo do Tempo Comum Ano A – Evangelho (João 1, 29-34)
Por Pe.  Joéds Castro
Padre diocesano de Uberlândia

Irmãos e irmãs, reunidos para celebrar esta liturgia, do Segundo Domingo do Tempo Comum, agora a Igreja se reveste da coloração verde, não simplesmente para indicar o tempo de esperança, mas para indicar aquilo que a Sagrada Escritura mesmo diz: ‘que o pastor ele conduz as suas ovelhas por verdes pastagens’. Assim a Igreja nos convida a viver o Tempo, dentro do Ano Litúrgico, o tempo agora, passadas as Festas do Tempo Advento e do Natal, onde se celebra a encarnação e nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, se celebra a Sagrada Família, a Visitação dos Magos e assim a Festa do Batismo de Jesus Cristo, onde ele assume que a sua vida é um exemplo para toda a humanidade. Passadas essas festas importantes, nós adentramos ao Tempo Comum, terceira etapa do Ano Litúrgico.

O comum não quer dizer que seja um tempo qualquer, mas o comum vem do cotidiano, ou seja, nós seremos guiados, cotidianamente, como aqueles “magos” foram orientados pela Estrela (Evangelho) e se deixaram seguir, ter sentido a sua vida para o encontro do Senhor. Nós agora vamos, cotidianamente, sendo orientados pelo Plano de Deus, que está na pessoa de Nosso Senhor, Jesus Cristo. Por isso se diz que nós quando vemos a Igreja revestida de verde, nós estamos vivendo o Tempo Comum, ou seja, o tempo de viver diariamente, o ser pastoreado pelo Cristo, esta é a certeza. Não somente um tempo de esperança, mas um tempo de certeza que, diariamente o Cristo nos conduz.

Cristo que os evangelistas vão progressivamente nos apresentando.

O evangelista não apresenta Cristo como um poderoso, não apresenta Cristo como muitos: ‘Jesus vem trazer a vingança, Jesus é o leão de Judá… ’ Não tem vingança. Jesus é o Cordeiro de Deus! Esta imagem é preciosíssima. O Evangelista João usa o termo no grego “Amnos” (Jo 1,29) que designa “O Cordeiro Puro” em sentido para além de somente animal destinado ao sacrifício comum dos animais, tanto que o Batista lhe vê num sentido que distingui a pessoa de Jesus das outras pessoas. Ainda busquemos um pouco mais da significância desta afirmação, no aramaico cordeiro se diz “Talyã´” (Is 40, 11), podendo indicar tanto o animal mesmo, mas pode referir-se ao servo que trabalha, sendo um criado (Is 49, 1-6), ainda “filho” e “pão”. Eis Jesus distinguido entre todas as importâncias que está pode se aplicar todas referentes a algo valoroso, no entanto, o Batista o distingue em excelência daquilo que já é bom Jesus supera o melhor, pois Ele é de Deus, ou seja, vem direto do que é de Deus.

O Povo judeu usava animais para justamente fazer uma espécie de sacrifício para encontrar um equilíbrio entre a sua vida e o Plano de Deus. Então eles ofereciam cordeiros para pedir perdão, fazer uma celebração de comunhão, de expiação… João Batista no texto de João mostra que Jesus não é de expiação pela humanidade, pelos pecados da humanidade. Jesus é O Cordeiro de Deus. Ele não é um cordeiro para Deus. Diz o evangelista que ‘ele é o Cordeiro de Deus’. O povo oferecia o seu cordeiro para Deus. Agora João Batista diz o quê? ‘Esse é o Cordeiro de Deus, que tira O Pecado do mundo.’ (João 1, 29) Jesus não é oferecido para Deus, Jesus é o Cordeiro que Deus oferece para o povo. Não um animal externo a se ofercer para Deus, mas uma pessoa inteira a se tornar em Deus. ‘Esse é o Cordeiro de Deus.’

A dinâmica do Plano de Salvação de Deus para a nossa vida. Deus envia o seu Filho justamente para ser esta prova do seu amor para com a humanidade. Ele não tira “OS” pecados, Jesus não é um cordeiro de expiação. Jesus tira “O” pecado. Jesus ele faz, na sua entrega amorosa, humilde, conforme sempre, em qualquer cultura, o cordeiro, a ovelha é expressão da humildade, Jesus, humildemente, faz esta oferta amorosa que elimina aquilo que é a raiz de todo o pecado, de todo o mal. No ser da pessoa de Jesus está a essência do ser radicado à Deus. Jesus tem consciência dos males e do mal em si, enquanto força influenciadora nas escolhas humanas, mas por seu se deixar batizar por João retoma em si e vai levar a perfeição o Plano do Pai Deus para toda a humanidade criada.

João Batista diz: ‘Ele não tira “OS” pecados, ele é o que tira “O” pecado. E qual é O pecado? O pecado da desobediência. Esse pecado que adentrou com a desobediência dos primeiros “pais”, por assim dizer. Os primeiros seres humanos que desobedeceram ao Plano de Deus e por causa disso se afastaram de Deus. Jesus mostra que, através da sua obediência (Mt 3,15), a humanidade, novamente, tem acesso ao Pai. A obediência, portanto, não limita o ser humano, mas concede a este o seu real desenvolvimento em suas potencialidades e capacidades, realmente faz a pessoa se distinguir enquanto ser entre os outros seres. Aqui se entra em contato com o Plano Original de Deus Criador, nas palavras de João: ‘Antes de mim chega o Homem que passou a minha frente, porque já era antes de mim’(Jo 1, 30), é Jesus este Plano que já existia em Deus, anunciado na pessoa de João e que o próprio Jesus vai levar em exemplo para toda a humanidade. Convite forte a todos nós e para quem quer ser plenificado em sua existência, ser obediente ao Pai, o ser humano não regride ou se torna “bilotado”, o ser se humaniza em total, progride, qualifica a sua volta e alcança sua comunhão com o transcendente de vida em plenitude.

João Batista diz: ‘Eu não conhecia, mas aquele que me disse para vir batizar, esse então me fez reconhecê-lo’ (Jo 1, 31). É muito interessante, porque nós somos convidados a esta certeza, de que é através desta obediência que vai se encontrar, justamente, na pessoa do Cristo, vai se encontrar o Amor de Deus. Várias vezes João Batista diz: ‘Eu também não o conhecia.’ Mas aquele que me enviou, aquele que me mandou batizar, aquele que me disse: ‘Quem você ver o Espírito permanecer, é este quem batiza com o Espírito Santo’(João 1, 31-33). Vamos entendendo a grande dimensão da experiência da obediência. Quem então vai vivendo esta obediência ao Plano de Deus, essa pessoa vai à experiência justamente da salvação de Deus, acontecendo na sua existência. Como o evangelista muito bem disse: ‘É dele que eu falava, que vinha um homem, depois, que passou à minha frente’ (João 1, 30). Por quê? João ele preparava. Jesus passou à frente por quê? Jesus não é mais a preparação, Jesus é a presença.

Jesus sendo Filho de Deus indica aquilo que João Batista não podia ser. João Batista não pode fazer nascer os Filhos de Deus. João Batista com seu batismo ele mostrava o quê? Sim, somos um povo que está sobrecarregado, sobrecarregado por causa dos pecados, sobrecarregado por causa das doutrinas, sobrecarregado por causa das leis, sobretudo sobrecarregado das incompreensões das nossas melhores capacidades naturais, recordemos esse tempo de tantas afirmações e pessoas impossibilitadas se serem o que naturalmente nasceram para serem. Mas com esse batismo nós esperamos o novo. E aí está o novo. O novo é a Filiação Divina.

A Filiação Divina que vem, não por força do ser humano, mas vem por graça de Deus. E assim João Batista diz: ‘se eu vim batizar foi justamente para que Ele se manifestasse’ (João 1, 31). É o Cristo a manifestação da vida nova. E qual é a vida nova? A vida de filho, filha de Deus. E ele então diz: ‘aquele que você vir o Espírito Santo descer e permanecer, é este quem batiza com o Espírito Santo’ (João 1, 33). João Batista novamente dá o testemunho: ‘Eu vi o Espírito que desceu sobre Ele em forma de pomba’ (João 1, 32). Esta imagem também é belíssima! Belíssima! Por quê? O pombo ele é sinal não simplesmente do amor, mas ele é sinal da fidelidade. Antigamente não tínhamos o correio veloz, então se tinha o pombo correio. Não tinha telégrafo (século XVIII), essas coisas todas, mas tinha o pombo correio. Por quê? Existe até uma expressão em latim que diz: “Columba fidelis nido.” Que significa o quê? “A pomba é fiel ao seu ninho.” Em qualquer lugar que soltar o passáro, ele vai voltar. Ele vai voltar para o ninho. Por isso que nos convites de casamento muita gente coloca lá os pombinhos juntinhos. Mas eles não são simplesmente sinais do amor. O pombo é sinal do Amor Fiel, este que por primazia é o caráter do Espírito Santo de Deus.

Jesus como filho é a morada permanente do Amor Fiel de Deus. E esse amor fiel, então não interessa o que o outro vai ou não vai fazer, aquele que tem, permanece fiel a esse amor. Então não é: ‘Os discípulos não amaram a Jesus’. Mas Jesus permanece fiel a esse amor. Por isso é Jesus quem batiza no Espírito Santo. O Espírito Santo é a Força do Amor de Deus. E batizar, a palavra grega “Baptizo”, não é simplesmente aquele pinguinho de água que é colocado na cabeça, não, O batismo no Espírito Santo é a pessoa ser mergulhada no Amor de Deus. Missão grandiosa dos pais, padrinhos e de toda a comunidade, os que têm fé na pessoa do Ressuscitado. É esse então o Plano que nós somos chamados a viver diariamente, a fazer a experiência do mergulhar no Amor de Deus.

À medida que nós vamos vivendo a pratica do Evangelho, nós vamos crendo então, nós vamos obedecendo a Cristo. E como se obedece a Cristo? Vivendo o evangelho. Nesta proporção que se vive o evangelho, nós vamos sendo mergulhados no Amor de Deus. Essa experiência que o Cristo vem nos convidar a fazer: A experiência do ser amado e amada por Deus. Isso modifica totalmente a nossa vida. Uma pessoa que está fazendo a experiência do amor, as atitudes, à vida dessa pessoa é diferente. Uma pessoa que está fazendo a experiência do desamor, a vida e as atitudes dessa pessoa são totalmente diferentes. ‘Mas o que está acontecendo com você, você está esquisito, fazendo as coisas de um jeito diferente, parece que está fazendo as coisas com má vontade?’ É a experiência do quê? Do desamor. ‘O que está acontecendo com você, esta alegria, não está reclamando, que ânimo, que entusiasmo?’ A pessoa está fazendo o quê? A experiência do ser amado. E por justamente o quê? Amar. E nós precisamos fazer esta experiência. A experiência que leva o ser humano à sua totalidade, que faz o ser humano ser humano, é justamente a experiência do amor.

“Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus!” (Jo 1, 34), diante de tantas realidades importantes está é a que quase faria tudo isto “falhar”, caso faltasse o testemunho. Qual o sentido do testemunho, antes o testemunho, não é relatar algo, João Batista e João Evangelista não estão só relatando algo que aconteceu fora de suas pessoas, eles estão a testemunhar os frutos de suas experiências com o Plano de Deus e a pessoa de Jesus, Cordeiro e Filho de Deus. Estejamos atentos à necessidade do nosso testemunho, João: “se eu vim batizar com água, foi para que Ele fosse manifestado a Israel” (Jo 1, 31). Caros amigos e amigas em Cristo, João não desejou um mundo melhor só a si, o nome dele significa “Deus é amor misericordioso”, João ama sua vida em Deus e por isso testemunha, ou seja, faz a experiência não a guarda para si, procura ajudar a todos nesta vida extraordinária do cotidiano, o próprio Deus Pai dá seu testemunho sobre a pessoa de Jesus, recordemos a liturgia do Batismo do Senhor, domingo último. Portanto, cabe a nós essa seríssima reflexão, realmente eu desejo a vida em seu melhor, em sua plenitude? É preciso acolher a Jesus, vivemos isto ao celebrar seu Natal, agora nos é possibilitado viver de forma intensa essa experiência forte diariamente sem receio e publicamente. Mas com muita força e amor ajudar as outras pessoas que amamos ou nem tanto, a acolherem Jesus como o melhor para suas vidas.

É preciso que quem seja cristão dê testemunho de Cristo Jesus, quem deseja o melhor para as pessoas que ama não pode se contentar em vê-las tendo vidas não plenas, sobrecarregadas pelo dinheiro, pelo desamor, procurando carreiras que só lhes cansam e fadigam, será só a materialidade e gozo medíocre e supérfluo de si e das coisas em materialidade o total alcance do melhor? Realmente quem ama precisa testemunhar Jesus aos seus e a todo o “Israel” deste tempo. Tenha amor pelos seus e por todos, como? Testemunhe sua experiência fiel de aceitar Jesus como O Cordeiro, como O Filho, como O Melhor em sua existência enviado a te por Deus amor intenso. Se você como João está onde está é para que dê testemunho do Melhor da vida em Deus, tenha compaixão e deseje a salvação de todos, a todos mostre e distinga a pessoa de Jesus aos seus semelhantes, diga-lhes em que modo de viver permanece o Amor forte e Fiel. O Espírito Santo também estará sobre ti. Amém.

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