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Setembro: mês da Bíblia

A Palavra de Deus na história humana se deu de modo gradual e constante. Deus se dirigiu ao ser humano como um amigo: “Outrora, Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras aos nossos pais, pelos profetas, e nesses dias que são os últimos, falou-nos por meio do Seu Filho” (Hb 1, 1-2).

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A iniciativa de se comunicar com o homem foi de Deus, e Ele quis comunicar-se a si mesmo. Comunicou-se por meio de uma Palavra Performativa: que cumpre o que diz. Uma Palavra tão diferente da nossa que, muitas vezes, não se garante nem cumpre com o prometido. A de Deus é sempre atual, fiel e cumpridora. Todavia, essa Palavra não está unicamente nas Sagradas Escrituras, nos seus 73 livros: 46 do Antigo e 27 do Novo Testamento. Ela está também no magistério da Igreja, na Sagrada Tradição dos Apóstolos e na vida de cada homem e de cada mulher. Ao longo da Bíblia, encontramos livros históricos, sapienciais, hinos, poemas, proféticos, cartas e evangelhos. Ela condensa, desse modo, a experiência múltipla e diversa de um povo, chamado de o “Povo da Aliança”, a quem Deus se destinou por primeiro e a quem confiara a missão de torná-lO conhecido e amado. Relendo a própria história, o povo de Israel colocou por escrito a sua experiência daquele Deus.

Por esta razão, as imagens de Deus presentes na Bíblia são diversas, tantos quantos são aqueles que se puseram a descrevê-lO. Por vezes, temos a impressão de um Deus violento, sanguinário; outras vezes, Deus é apresentado como um esposo que ama e cuida de sua esposa, Israel. Tudo isso diz das compreensões daquele povo. O que não quer dizer que Deus seja tal como o homem o foi compreendendo. São imagens, e essas podem ser mais parecidas ou mais distantes do real. Deus, no entanto, é o mesmo: desde o Antigo até a conclusão do Novo Testamento. Quem melhor revelou-nos a Sua face foi o Seu Filho Jesus Cristo. Ele foi o único autorizado a revelar ao homem o rosto misterioso e misericordioso de Deus. Desde o poema do gênesis, em que fala da relação amistosa do criador com a sua criatura, até o apocalipse, que comenta os dias dramáticos das perseguições sofridas pelos primeiros cristãos, a Bíblia tem uma única preocupação: revelar a presença amorosa de Deus na história humana.

Por isso, é desonesto ir à Bíblia procurando respostas científicas, ou ratificações para os nossos preconceitos atuais. É preciso recordamo-nos de que ela foi escrita ao longo de séculos e esteve inserida num tempo e num espaço. Ela é “filha” da cultura. A visão de mundo e de sociedade presentes na Palavra Inspirada por Deus deve ser levada em consideração. Não se pode eximir da compreensão bíblica o contexto de época e o gênero literário. A Bíblia é também “filha” da Igreja. Sua ruptura do seio da comunidade desloca-a para um lugar onde ela não será honestamente compreendida.

Oxalá, nossas Bíblias não sirvam unicamente para enfeitar estantes, e ser utilizadas como porta-objetos, tampouco aparador de miligramas de poeira. Que nossas Bíblias estejam gastas de tanto uso; engorduradas por nossas mãos e exalando o cheiro de nosso odor e de nosso manuseio. Que elas estejam rabiscadas e coloridas por nossos estudos. E que nós, todos nós, sejamos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois isto equivaleria a nos enganarmos a nós mesmos (cf. Tg 1, 22).

Aproveitemos, portanto, este mês para nos debruçarmos mais e melhor sobre a “carta” de Deus enviada a nós.

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Por, Pe. Claudemar Silva

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