Diocese de Uberlândia Em Destaque

Sexta-feira da Paixão: adoremos o Crucificado

The_Passion_of_the_Christ_18707_Medium

Senhor,

No encontro de tuas hastes, depus meu cansaço.
Minha fadiga nunca antes foi tão suavizada como agora.
Os prantos que meus olhos teimavam em debulhar, de repente, encontraram em ti um mar de sossego.
Minha alma, tão agitada, enfim, ancorou-se em ti.
Não houve infortúnio que não pudesse cessar; sangria que não fosse estancada.
No encontro de tuas partes, uniste o irreconciliável; percebeste o impenetrável e abarcaste o inalcançável.
Neste abraço demorado, pus-me inteiro; abracei-te.
Estendi-me e quanto mais eu me lançava, mais tu vinhas ao meu encontro. E na minha inocência, eu pensava ser quem te tocava.
Senhor, sem ti, a cruz é loucura. É desespero que não cessa, que não para e não encontra alívio.
Fora de ti, tudo é frio, é madeiro, é implacável.
Sem ti, é insuportável estar sobre a cruz.
Sem ti, a cruz é pesada demais; insustentável seu peso.
Quando não estais, é assustadoramente difícil de ser contemplada.
O caminhar se torna apenas calvário e o sol forte impossibilita-me ver além, perceber as nuances de tua presença, sempre tão sutis. Não me possibilita ocultar-me em ti.
Sem ti, a cruz é espera que não cessa.
É um contínuo esmurrar sem respostas.
É fadiga que insurge e me entorpece, deixando-me sedento quase à beira da morte.
Mas, Senhor, contigo, as horas passadas ali se tornam belas…
Poder mirar teu olhar; deixar-me ser visto; admirar tuas feridas e nelas me esconder.
Acolher teu abraço que parece ceder ao encontro aparentemente casual.
Ali, no alto, forjaste o meu lugar.
Exatamente ali, onde é tão penoso, tão cruento, tão dilacerante estar.
Onde o estético cede ao horror; onde o desespero transmuta-se em morte.
De onde, enfim, seremos chamados à ressurreição.

Diácono Claudemar Silva

[box type=”info”]

Em todo o ano, existe somente um dia em que não se celebra a Santa Missa: a Sexta-Feira Santa. Ao invés da Missa temos uma celebração que se chama Funções da Sexta-feira da Paixão, que tem origem em uma tradição muito antiga da Igreja que já ocorria nos primeiros séculos, especialmente depois da inauguração da Basílica do Santo Sepulcro e do reencontro da Santa Cruz por parte de Santa Helena (ano 335 d.C.).

Esta celebração é dividida em três partes: a primeira é a leitura da Sagrada Escritura e a oração universal feita por todas as pessoas de todos os tempos; a segunda é a adoração da Santa Cruz e a terceira é a Comunhão Eucarística, juntas formam o memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor. Memorial não é apenas relembrar ou fazer memória dos fatos, é realmente celebrar agora, buscando fazer presente, atual, tudo aquilo que Deus realizou em outros tempos. Mergulhamos no tempo para nos encontrarmos com a graça de Deus no momento que operou a salvação e, ao retornarmos deste mergulho, a trazemos em nós.

Os cristãos peregrinos dos primeiros séculos a Jerusalém nos descrevem, através de seus diários que, em um certo momento desta celebração, a relíquia da Santa Cruz era exposta para adoração diante do Santo Sepulcro. Os cristãos, um a um, passavam diante dela reverenciando e beijando-a. Este momento é chamado de Adoração à Santa Cruz, que significa adorar a Jesus que foi pregado na cruz através do toque concreto que faziam naquele madeiro onde Jesus foi estendido e que foi banhado com seu sangue.

Em nosso mundo de hoje, falar da Adoração à Santa Cruz pode gerar confusão de significado, mas o que nós fazemos é venerar a Cruz e, enquanto a veneramos, temos nosso coração e nossa mente que ultrapassa aquele madeiro, ultrapassa o crufixo, ultrapassa mesmo o local onde estamos, até encontrar-se com Nosso Senhor pregado naquela cruz, dando a vida para nos salvar. Quando beijamos a cruz, não a beijamos por si mesma, a beijamos como quem beija o próprio rosto de Jesus, é a gratidão por tudo que Nosso Senhor realizou através da cruz. O mesmo gesto o padre realiza no início de cada Missa ao beijar o Altar. É um beijo que não pára ali, é beijar a face de Jesus. Por isso, não se adora o objeto. O objeto é um símbolo, ao reverênciá-lo mergulhamos em seu significado mais profundo, o fato que foi através da Cruz que fomos salvos.

Nós cristãos temos a consciência que Jesus não é apenas um personagem da história ou alguém enclausurado no passado acessível através da história somente. “Jesus está vivo!” Era o que gritava Pedro na manhã de Pentecostes e esse era o primeiro anúncio da Igreja. Jesus está vivo e atuante em nosso meio, a morte não O prendeu. A alegria de sabermos que, para além da dolorosa e pesada cruz colocada sobre os ombros de Jesus, arrastada por Ele em Jerusalém, na qual foi crucificado, que se torna o simbolo de sua presença e do amor de Deus, existe Vida, existe Ressurreição. Nossa vida pode se confundir com a cruz de Jesus em muitos momentos, mas diante dela temos a certeza que não estamos sós, que Jesus caminha conosco em nossa via sacra pessoal e, para além da dor, existe a salvação.

Ao beijar a Santa Cruz, podemos ter a plena certeza: Jesus não é simplesmente um mestre de como viver bem esta vida, como muitos se propõem, mas o Deus vivo e operante em nosso meio.

Fonte: CN

[/box]

Assine a nossa newsletter

Junte-se à nossa lista de correspondência para receber as últimas notícias e atualizações de nossa equipe.

You have Successfully Subscribed!