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Simpósio em Defesa da Vida: "oportunidade para repensar…"

A oportunidade de repensar nossa prática e de nos questionarmos, como nos colocamos, enquanto Igreja, diante das realidades cotidianas e dos desafios colocados à nossa frente, motivou-nos a convidar para o II Simpósio em Defesa da Vida o Prof. Dr. Mário Antônio Sanches, da PUC PR, ele que é Doutor em Teologia, PHD em Bioética e pesquisador nas áreas de planejamento familiar no contexto da bioética; avaliação ética da reprodução assistida e Bioética, Ciência e Espiritualidade.

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A diversidade está presente em bioética como uma de suas características essenciais, o que não significa que ela seja aceita pacificamente e sem tensões. Esta possibilidade de se lidar com visões plurais de mundo mantém a bioética una, mas isto precisa ser continuamente acolhido e re-pensado para que a pluralidade sadia não se transforme em elemento de fragmentação e de divisões. Muitas tensões que marcam a bioética precisam ser analisadas e dialogadas com a realidade presente.

A beleza do Evangelho precisa ser anunciada, sem radicalização, com consciência e maturidade de fé e na maioria das vezes temos nos esbarrado na dificuldade de posicionamento, por desconhecimento, falta de oportunidade de formação e desinteresse ao tema, tão urgente e necessário.

Há necessidade de se “botar o pé no chão da realidade”, deixar as “botas da certeza” de lado, “tirar as sandálias’, descansar, cuidar, ouvir, aproximar-se; temos nossas convicções, mas não podemos abrir mão de ouvir as várias vozes, as várias perspectivas, sem imposição, sem radicalização. O duplo olhar da Igreja como mãe e mestra precisa ser valorizado, necessitamos de uma pedagogia que revele esta dupla face da Igreja. Entendemos que olhar para a Trindade seja a solução, pois a caridade é sempre a hermenêutica necessária a toda norma eclesial, mas a Igreja mãe, com autenticidade, humildade e honestidade não pode perder a oportunidade de se aproximar de seus filhos e orientá-los, aceitando a interdisciplinaridade, sem desviar o olhar no Crucificado.

O Professor convidado nos fez recordar o histórico e belo encontro de São Domingos e São Francisco, o primeiro defensor da verdade fundamental e o outro de que o mundo muda pelo amor, serviço e acolhimento.

Segundo a descrição, os dois (São Francisco e São Domingos) tiveram visões em que cada um conheceu o outro. Depois, em certo momento, São Francisco estava rezando na igreja, e São Domingos o viu. Foi lá e abraçou-o. Abraçou-o e então permutam essa mesma missão de trabalharem juntos.

O que significa esse abraço? É o abraço de duas almas que tinham todas as razões para se estimarem no mais alto grau possível. De um lado, porque eram sumamente parecidas e, de outro lado, porque eram sumamente diferentes.

Em Deus – quer dizer, segundo as coisas católicas – a suma semelhança leva à amizade, mas a suma dessemelhança também leva à amizade; porque não é uma dessemelhança de contradição, em que um é o desmentido do outro, mas é uma dessemelhança de complementação, em que um completa o outro, em que um tem aquilo que falta ao outro. Os dois juntos constituem um todo harmônico. E assim como, por exemplo, duas notas de uma harmonia musical uma pede a outra no que têm de dessemelhança, assim também dois santos se atraem um ao outro, não só por profunda semelhança, mas também por sua profunda dessemelhança. Esse abraço, portanto, era um abraço não apenas de dois santos, mas era qualquer coisa de mais alto. Eram dons de Deus, eram missões que se abraçavam, osculavam-se, e se uniam. Eram como se fossem “mãos” de Deus que se uniam na terra, para a glória e felicidade dos homens e também para a glória da Santa Igreja Católica.

A Comissão em Defesa da Vida da Diocese de Uberlândia, numa articulação com a Pastoral Familiar Diocesana quer, de mãos dadas, oportunizar momentos de reflexão e aprofundamento nas questões da Bioética, ainda desafio em nosso meio; o equilíbrio entre a verdade de fé, na medida certa, sem imposição e os estudos e avanços nas áreas de Família, Sexualidade, Gênero, Parentalidade e Reprodução Assistida são de extrema importância para todos nós e um convite também do Sínodo da Família, ocorrido recentemente no Vaticano, que tratou dos desafios pastorais atuais da família no contexto da evangelização.

Podemos perceber também no Documento de Aparecida, essa intenção e convite, em seu Capítulo IX: Família, Pessoa e Vida (435) – Visto que a família é o valor mais querido por nossos povos, cremos que se deve assumir a preocupação por ela como um dos eixos transversais de toda ação evangelizadora da Igreja. Em toda diocese se requer uma pastoral familiar “intensa e vigorosa” para proclamar o evangelho da família, promover a cultura da vida e trabalhar para que os direitos das famílias sejam reconhecidos e respeitados.

Precisamos nos abrir ao conhecimento e às orientações da ciência: ouvir, pesquisar e subsidiar nossos agentes de pastorais e movimentos, temos nossas convicções e a bioética nos possibilita ouvir as várias vozes e as várias perspectivas e esse é o diálogo construtivo que objetivamos possibilitar.

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Por, Maria do Rosário

Coordenadora da Pastoral Familiar Diocesana

 

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