Diocese de Uberlândia Em Destaque

Ordenação de três novos presbíteros para o serviço ao Povo de Deus na Diocese

Nesse sábado (2), a Igreja Particular de Uberlândia celebrou jubilosa na Catedral Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, a Ordenação Presbiteral dos Padres Claudemar Silva, Eduardo César e Marco Aurélio.

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A celebração, presidida pelo bispo diocesano Dom Paulo Francisco Machado, contou com a presença de diversos padres da Diocese de Uberlândia e também de outras dioceses, de diáconos, frades franciscanos e de uma expressiva participação de fiéis leigos da Diocese e da arquidiocese de Belo Horizonte, sobretudo.

Em sua saudação inicial, Dom Paulo disse: “Quero dar as boas vindas a todos os presentes, primeiramente a Dom Valter que é filho desta Diocese […] saúdo os padres que vieram de longe, os familiares, os nossos padres, religiosos e todos os fiéis presentes”

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Em sua homilia, o bispo diocesano ressaltou:

 

 “[…] A primeira leitura diz que Deus nos escolheu por amor […] cada alma é plasmada pela mão do Senhor. […] Somos amados por Deus. Na segunda leitura da Carta de São Paulo, diz que somos um tesouro, mas este tesouro é carregado com nossas fraquezas […] O Evangelho, por sua vez, afirma-nos que todas as missangas da vida podem e devem ser trocadas pelo único tesouro que vela a pena. Neste grande fardo de argila carregamos esta pérola que é o Reino de Deus. […] Jesus Cristo envia os apóstolos para anunciar o Reino, e ele os manda dois a dois, porque o nosso ministério não é um ministério solitário. […] Portanto, eu diria aos três que estão aqui: encontrem, busquem esta pedra preciosa […] Mesmo nos momentos mais difíceis, nunca desconfiem da vocação. A Igreja chamou. Reconhecendo este chamado de Deus, nunca se isolem. Não exerçam esse ministério isolados, mas em comunhão com o seu bispo. […] Sempre Deus quer a parceria, esta parceria na criação pode ser lida naquela passagem de Gênesis. Ele nos quer parceiros […] por isso ele chamou patriarcas, começa com Abraão, Isaac, Jacó. […] E como ele faz isto hoje, por meio da imposição da mão sobre os fiéis. […] Podem perceber, em cada sacramento Deus realiza a salvação. […] No Sacramento do Batismo e da Crisma recebemos o Espírito Santo, para vivermos uma experiência muito rica e muito forte. […] No Sacramento da Ordem novamente recebemos o Espírito Santo, que é a transmissão de um serviço. Deus nos concedeu a graça de ser servidores do povo de Deus […] Por esse dom, Cristo se torna presente na nossa vida, por esse dom somos escolhidos e nos tornamos sinais visíveis do Senhor para possibilitar o encontro com Ele. O nosso serviço é para Cristo e a Igreja. Somos então sinais visíveis, cada cristão é sinal visível do Senhor. […] Esse sinal visível às vezes fica tão deteriorado […] e precisamos nos abrir à graça de Deus para sermos esse sinal. […] Pela imposição das mãos nós nos tornamos este sinal visível para participar desta obra da salvação e recebemos uma marca indelével. […] O Espírito Santo deixa outra marca indelével, um selo. […] podemos dizer, a teologia fala e nós podemos dizer que existem algumas ações de Cristo, algumas ações são divinas, passa pelo humano. Então, isto acontece conosco também, e eu posso dizer: eu te absolvo, porque é Cristo que absolve, eu posso dizer eu te batizo, porque é o Cristo que batiza. […] Daí a necessidade de viver a riqueza de nossa espiritualidade, de buscar recostar nossa cabeça sempre no coração de Cristo. Para que nossa palavra não seja nossa, porque se nossa palavra não estiver conforme a palavra de Cristo, nós estaremos trocando missanga por aquela pedra. E esta imagem do Bom Pastor, que deve ter o cheiro das ovelhas. É aquela criança pobre, aquele adolescente que se perdeu e que retomar o caminho. Deixar-se impregnar pelo cheiro das ovelhas. E se nós carregamos a ovelha ferida em nossos ombros, nós assimilamos o cheiro das ovelhas, mas também o perfume de Cristo. […] Mas nós precisamos de um acompanhamento materno, como as duas senhoras que foram ali fizeram as leituras e não precisaram se vestir de padre para fazer isso. Não é preciso estar clericalizado para fazer isto que recebemos no batismo”.

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Após a realização da homilia o Bispo Diocesano deu continuidade ao rito da ordenação, interpelando os diáconos quanto ao compromisso de receber o sacramento da Ordem. A realização dos votos foi seguida pela apresentação individual dos diáconos diante de Dom Paulo e na sequência os mesmos se dispuseram deitados com a fronte voltada para o chão, em atitude de penitência e entrega ao serviço ao Reino de Deus, enquanto o Coral entoava a ladainha de todos os santos.

Ao término da ladainha os novos presbíteros se coloraram de joelhos diante do altar para receber a imposição das mãos do Bispo e também dos demais presbíteros presentes. Dom Paulo procedeu em seguida com a prece de ordenação. Depois, os presbíteros recém-ordenados receberam suas vestes para o exercício do sacerdócio.

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Já paramentados, os novos presbíteros dispuseram-se individualmente diante do bispo diocesano que lhes ungiu as mãos com o óleo do crisma, configurando, assim, o múnus de abençoar. As mãos dos neo-sacerdotes foram envoltas por panos brancos, que selaram seu compromisso assumido de servir a Igreja na condição de sacerdotes. Suas mãos foram desatadas por suas mães e, então, os mesmos apresentaram as mãos desatadas para a comunidade que os saudou calorosamente.

Fiéis da comunidade entregaram ao bispo diocesano as oferendas – pão e vinho – que foram na sequência entregues por Dom Paulo a cada um dos novos presbíteros, acompanhada da saudação de paz entre o bispo e os presbíteros recém-ordenados, bem como, dos demais presbíteros e seus novos companheiros no serviço à Igreja.

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Após a saudação, os neo-presbíteros: Pe. Claudemar Silva, Pe. Eduardo César e Pe. Marco Aurélio receberam também o abraço afetuoso de seus familiares e, então, dirigiram-se para o altar juntamente com os demais presbíteros. Em seguida, Dom Paulo prosseguiu com a celebração realizando a liturgia eucarística.

Ao término da celebração, Padre Genésio Donatti, chanceler do bispado, entregou aos novos presbíteros da Diocese de Uberlândia o documento que comprova a ordenação presbiteral. Em seguida, Padre Claudemar Silva proferiu palavras de agradecimento.

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Por, Leandro Oliveira – agente PASCOM

Confira o agradecimento de Pe. Claudemar na íntegra

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Excelentíssimo e Reverendíssimo, Dom Paulo Francisco,

Reverendíssimos Irmãos no Presbitério,

Senhores Diáconos, Religiosos, Seminaristas, Familiares e Amigos aqui presentes,

Fiéis leigos e ordenados, Povo Santo de Deus,

 

Viestes, nesta manhã, à Igreja-mãe da Diocese de Uberlândia, no início do mês vocacional e antevéspera do dia do padre, para serdes testemunhas da fraqueza de Deus; o seu amor decidido por nós, seus filhos. Nessa fraqueza é que consiste o seu poder.

O apóstolo Paulo, homem experimentado na dor e na Graça, afirma-nos que Deus derramou com largueza sobre os nossos corações a expressão mais genuína do seu amor, dando-nos o Seu Espírito. E é graças a esse Espírito que nos habita, e que nos é mais íntimo do que nós mesmos, é que nós, presbíteros, vasos frágeis, somos capazes de comportar o tesouro inestimável da vocação.

Em nós, esse dom não se deixa oxidar nem se corrompe a partir de dentro. É o contrário. Continua sendo valoroso e, exatamente por isso, torna digno o vaso que o comporta. Logo, a dignidade não é nossa; é d’Ele. Limitado, o vaso permanece, entretanto, em sua utilidade inquestionável e em sua missão altaneira.

O vaso, por vezes macerado pelo tempo e pelas andanças ao longo do caminho, vai deixando escapar por entre suas fendas o conteúdo que não lhe pertence, embora o comporte. Ajeitado muitas vezes sobre os ombros pelo próprio caminhante, o vaso diz muito da condição de quem o conduz. Tal como quem o leva, ele é terroso, imperfeito, mas, ainda assim, é dentro dele que o transeunte leva para casa o líquido precioso com o qual sacia a sede e faz o alimento para os seus.

Todavia, enquanto caminha, o líquido no interior do vasilhame, porque fendido, escorre; molha o peregrino e alcança o solo. Lava o homem que o conduz e banha a terra que sequiosa anseia pelas águas. E, dia após dia, quase que imperceptivelmente, as margens ao longo do caminho vão se enverdecendo graças às gotículas caídas, e a semente, outrora distraidamente lançada, absorve aquela rega; rompe a casca e, fecundada, prossegue o ciclo da vida.

O vaso que ora levamos é nosso e é d’Ele. Às vezes, nós o levamos, outras vezes é Ele quem nos leva. O vaso não perde a sua dignidade por que fora ferido pelo tempo ou pelos ventos contrários, sofridos do alto do ombro do Seu Senhor. Quem seria capaz de desprezá-lo por que envelheceu ou por que adquiriu rachaduras que comprometem o líquido que ele transporta?

Não seria capaz, quem por ele adquiriu verdadeiro amor. Quem o enxerga de longe pode até desprezá-lo, ignorá-lo ou ousar substitui-lo. Mas não quem o fez com as próprias mãos. As mãos que o manejaram sabem do valor inestimável daquele vaso, ainda que alquebrado pelos anos ou pelas vicissitudes da vida. Ainda que enegrecido pelas fuligens das noites mais densas, trazidas nas asas de ventos fortes de um deserto distante, estéril e descrente.

Um dia, quando o sol ia a pino e no horizonte já se divisava o contorno da chegada, perguntaram-nos: e vós, caminheiros-vasos, que vedes pelo caminho? Um olhar que nos espreitou por entre nossas rachaduras e, ante nossas fendas, adentrou-nos com sua luz, respondemos. Pois, nunca, em momento algum, as mãos desse Oleiro ousaram distanciar-nos do seu olhar. Ele nos fitou irrevogavelmente. Elegeu-nos, e sua decisão não voltou atrás. “vasos que amo, que criei e delineei com os meus dedos de artista. A ninguém cederei esta minha glória”, sussurrou-nos Ele quando nos acalentava ainda ontem. Daí, que o nosso anúncio diz sobremaneira deste que em nossa história revelou-se bom, belo e generoso.

Eis o nosso testemunho: Bom é Deus que nos alcançou quando finitos, e Ele, in-finito, adentrou-nos por nossas cercanias entreabertas e, visitando-nos, soergueu-nos à sua altura. Não houve estreiteza que o pudesse impedir de nos alcançar. A presença d’Ele sustentou nossos passos vacilantes e, quando cambaleamos, sua ternura firmou os nossos pés. Quando cansados, sentimo-nos ser pegos pelas mesmas mãos que nos forjaram, e postos em ombros de onde pudemos ter visões até então desconhecidas. Vimos além do deserto sequioso que não poucas vezes atravessamos. Do alto daqueles ombros, divisamos o oásis fecundo à nossa frente, e respiramos uma brisa fresca, como de fim de tarde, não obstante o sol escaldante que os pés d’Ele sentiam por nós.

Bom é Deus que não nos permitiu ficar ao chão quando pretéritos por causa de algumas frestas. Antes, alcançou-nos o Seu Amor decidido e encorajador. Pôs-se conosco, do nosso lado, no instante mais íngreme do percurso. As lufadas do ar de sua presença alegraram-nos sobremaneira, inclusive, quando adquirimos cicatrizes ao longo da travessia, que, sem revidar à grosseria do mal tempo, ensinaram-nos a esperar o tempo da poda, da colheita. Foi Ele quem empreendeu conosco tempo e recursos para que fôssemos íntegros, auspiciosos de uma unidade que se pretende alcançar a todos, a fim de que todos creiam n’Ele, e que foi Ele quem, inegavelmente, elegeu-nos, chamou-nos e nos envia.

Por que tratados com amor e misericórdia pelo Oleiro, reconhecemos: Ei-lo por aqui, sob nossas vestes suadas e surradas pela dureza da lida. Ei-lo aqui, misturando suas mãos às nossas já calejadas e feridas pelos espinhos e arestas na arte do plantio, ou envolvido conosco na simples feitura do pão e na pisadura do vinho. Ei-lo, sorridente, tal como criança, quando lhe apresentamos nossas lágrimas, Ele nos devolve afagos. Não é desprezo, é dito: sê forte, peregrino; sê corajoso, vaso miúdo. Sê!

E agora, agradecidos, despertos de nosso sono, pois pensamos sonhar, notamos que Ele, de fato, além de bom, permanece fiel. Sua decisão eterna, dura para sempre, como eterno é o seu amor. E em nossa intimidade, nos dirigimos a Ele confiantes: Ah, indefeso Senhor, então viestes hoje conforme prometido? Não foi em vão que seguramos ao limite de nossas forças a lamparina acesa. Ela tantas vezes se empalideceu. Nosso azeite, por vezes minguado, foi reposto mais de uma vez. E foram tantas as mãos que o nutriam e de tantos lugares que não nos atreveríamos a citá-los. Conforta-nos, todavia, aquela profunda certeza: nunca, em momento algum, estivemos sozinhos. Houve presenças… Presentes.

Pois, tal como o profeta Elias no deserto de Bersabeia, nós, quando sobrecarregados pelo cansaço durante a travessia, paramos e, assentados ao pé da árvore da vida, suplicamos: Senhor, conceda-nos a morte; eis-nos fatigados demais. Ele, porém, amando-nos, enviou-nos um anjo que nos alimentou, saciou nossa sede e nos disse: “Levantai-vos; comei e bebei, pois o caminho é longo”. Arrefecidos, prosseguimos.

E, em nossas noites mais escuras, pleiteamos fugir dele e, Ele, no entanto, alcançou-nos em nossa gruta. É que sem o saber, ocultamo-nos dele, nele: “Tu és minha rocha, Senhor, em Ti me refugio”. E durante uma noite inteira, Ele travou combate conosco. Sua mão estendida tocou-nos até o vértice. E, como ocorrera com Jacó, desde então manquejamos. Ele alterou até mesmo os nossos nomes e a marca deixada em nós impregnou-se de tal maneira que foi ao mais profundo em nossa carne, e, como argila, trazemos em nós o sinal de sua presença.

Ao transportarmos o Tesouro d’Ele, nossa resposta, no entanto, é ancorada numa rocha inabalável: no amado que continuamente nos apresenta, na força do amor, ao amante. O Pai, que nunca vimos, senão no Cristo nosso irmão, desceu à nossa altura e lavou-nos os pés. Enxugando-os, beijou-nos delicadamente. Sentimos o seu hálito e o seu perfume. E ao se despedir, abraçou-nos de forma demorada e, só muito lentamente, ausentou-se de nós, mas não em definitivo. Eis, portanto, nosso consolo e nossa dor: tendo-o perdido, voltamo-nos agora para os irmãos e irmãs, em quem esperamos de novo reencontrá-lo.

São por essas e outras que vos pedimos. Não nos pergunteisse estamos felizes ou tristes. Tais definições não alcançam o limite do que somos capazes de comportar. A síntese de tudo é isso: gratidão. Essa, sim, ultrapassa-nos e nos escapa; escorre por entre nossos dedos e fecunda a terra. E, não obstante a aparente perda, ela se renova e se perpetua. Pois, é infinitamente maior do que nós mesmos. Ela nos supera.

Obrigado.

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Por, Pe. Claudemar Pereira da Silva

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