Destaque Palavra do Bispo

“Vem aí… o Natal”, por Dom Paulo Francisco Machado

Vem aí… o Natal
Por Dom Paulo Francisco Machado
Bispo de Uberlândia

As lojas se enfeitam para seduzir, com os mais diversos atrativos, os olhos e, sobretudo, os cartões de crédito dos inquietos consumidores. Expostos um imenso número de badulaques, que tantas vezes só servirão para incensar a vaidade de seus donos, que serão admirados porque têm as últimas novidades do mercado de quinquilharias, ou, para encher os espaços da casa com “trecos” e manter o coração vazio de amor, frio de calor humano.

Nas vitrines, vejo inúmeros velhinhos de barba branca, que não recordam mais São Nicolau, o caridoso bispo que tanto cuidou das crianças. O papai Noel parece não ter nada a ver com o “Santa Claus”, pois vem da distante Lapônia no seu trenó puxado por garbosas renas, a se inserir pelas chaminés das casas presenteando as crianças pelo bom comportamento e, por não conhecer língua nenhuma, só sabe emitir um estranho som gutural, tornando-se um ícone do consumismo, de uma desequilibrada economia de mercado. Celebra-se o pontifical do consumismo, nos novos templos, os “shoppings”, com suas vestais paramentadas numa faina de embrulhar presentes, enquanto a caixa registradora fica a bimbalhar seus alegres sininhos.

Logo atento para um fato. As lojas não fazem referência ao Menino Deus, Aquele que escolheu ser um pobre, ser um de nós, para nos tornar ricos, mais humanos. Foi ela, a criança de Belém, que veio abraçar a nossa humanidade, para nos transmitir sua divindade, sendo a videira a nos comunicar a seiva divina.

Lamento, mas não estranho a ausência de presépios nas lojas, quando os cristãos estão a comemorar e celebrar o natalício de Cristo, para receber a devida homenagem a Deus que se fez do nosso tamanho, para não O temermos, mas para escutar sua mensagem, adorá-Lo como o fizeram Maria, José e os pastores, sem contar, é claro toda a corte celeste a cantar os louvores de Deus, o Bom. Apresentar Jesus nas vitrines não é politicamente correto, pois seria atentar contra uma sociedade que tanto insiste em se dizer laica, varrendo Deus e deuses de seus altares para elevar e incensar “a Coisa”, tudo o que é material, Mamon, e o que produz prazeres momentâneos. Afirma-se que uma convicção religiosa profunda e madura é fonte dos grandes conflitos na humanidade, que é coisa de fanáticos, pessoas ignorantes e tresloucadas. Uma dramática amnésia faz com que se esqueça que a criança nascida em Belém, na sua fragilidade, convida-nos a extirpar o orgulho, o desejo do lucro fácil para nos trazer a paz verdadeira: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” João 14,27.

É triste verificar que tantos cristãos não preparam o Natal, como a Igreja propõe durante as quatro semanas do Advento. Não estamos vigilantes para perceber que Cristo está a passar continuamente em nossa vida sempre a dizer: “quem tiver ouvidos, ouça” ou, a clamar”: quem tiver olhos – olhos da fé – vejam os sinais da presença de meu Espírito no mundo.

Na escola de Maria Santíssima, vamos celebrar solenemente o Natal, que na sua pobreza em Belém, dispôs apenas de uns paninhos para aconchegar melhor o corpinho amado de seu filho, mas que, com sua imensa ternura, iluminou e acalentou com a luz da ternura uma gruta, fazendo dela uma catedral e, da pobre manjedoura, um altar a nos convidar todos, como irmãos, ao louvor e glória de Deus, no empenho de fazer crescer o e seu Reino.

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