Para saber se a goteira vem do telhado ou do cano, compare o comportamento: goteira que só aparece com chuva sugere telha, rufo ou calha, e gotejamento que continua com tempo seco e muda com o fechamento do registro sugere cano ou conexão da caixa d'água no forro. Essa diferença orienta quem você vai chamar.
Segurança antes de investigar
- Se a água pingar perto de luminária, ventilador de teto, tomada ou quadro, desligue o disjuntor geral e não acenda luz naquele cômodo. No forro passam fios de outros circuitos, e por isso o disjuntor geral é o que garante segurança.
- Forro de gesso ou PVC com mancha escura e barriga cheia de água pode ceder. Afaste pessoas, animais e móveis e deixe um balde embaixo.
- Telhado é altura. Subir nele para olhar é serviço de telhadista, com calçado e proteção adequados. Telha molhada escorrega, e telha fina quebra sob o peso.
- Se a caixa d'água ou a telha for de fibrocimento (amianto), nunca lixe, escove a seco, fure ou quebre, e avise o profissional.
O que a chuva e o relógio mostram
Faça um pequeno diário durante alguns dias:
| Observação | Aponta para |
|---|---|
| Pinga só durante ou logo depois da chuva | Telha, rufo, calha, cumeeira |
| Pinga com tempo seco, mesmo sem uso de água | Cano pressurizado ou conexão da caixa |
| Aumenta de manhã e à noite, quando se usa mais água | Rede de distribuição |
| Aumenta quando a caixa está enchendo | Boia, entrada da caixa, registro |
| Continua molhado dias depois da chuva | Água acumulada na laje, no forro ou no isolante |
Checagem do forro com a caixa d'água
Se a caixa está no vão do forro, o acesso é por alçapão, e é preciso cuidado. Use escada firme, peça que uma pessoa fique embaixo apoiando e só pise sobre o madeiramento ou a estrutura própria. Forro de gesso, PVC ou placa não suporta o peso de uma pessoa.
- Com o disjuntor geral desligado, entre com uma lanterna, sem mexer em fios ou conexões elétricas.
- Olhe as conexões da caixa: entrada (onde chega a água da rua), saída (que desce para casa), ladrão (cano de segurança) e limpeza.
- Procure gotejamento, marca de água seca em volta das conexões, ferrugem em peças metálicas e umidade no isolante.
- Veja se o ladrão está pingando ou escorrendo: se sim, a boia está falhando e a caixa enche demais.
- Feche o registro de saída da caixa, se houver, e observe se o gotejamento para depois de algum tempo.
- Se a caixa for fibrocimento (cimento-amianto), não encoste, não risque e não limpe a seco.
A caixa sobre o telhado, em laje descoberta ou em torre, não entra nesta checagem. Isso é altura e é com profissional.
Teste com mangueira no telhado
Serve para achar o ponto de entrada de uma goteira só na chuva, mas é feito pelo telhadista, que sobe com segurança. O princípio é o mesmo de qualquer teste de chuva simulada:
- Alguém fica dentro, no forro ou embaixo da mancha, com lanterna.
- O telhadista molha um trecho do telhado por vez, começando pela parte mais baixa e subindo, sem encharcar tudo junto.
- Cada trecho recebe água por alguns minutos.
- Quem está dentro avisa quando a umidade aparece. O trecho molhado naquele instante é o suspeito.
- O teste se repete até fechar o ponto: telha trincada, rufo descolado, cumeeira mal assentada ou parafuso furando a telha.
Se a goteira não aparece em nenhum trecho, a hipótese passa para cano.
Seguindo a água dentro do forro
A água entra num ponto e escorre pelo madeiramento antes de pingar. Com lanterna, siga as marcas de umidade ou de mofo no madeiramento, do ponto mais molhado para cima e para os lados. Em geral, a origem fica acima e deslocada da mancha do teto. Fotografe tudo antes de qualquer reparo.
Como saber se o cano é de água fria, quente ou esgoto
- Água fria da caixa para a casa: gotejamento constante, mais forte quando alguém usa água.
- Água quente: o vapor ou o calor também deixam o forro úmido, mesmo sem pingo forte.
- Esgoto e ventilação: odor.
- Condensação na tubulação: umidade em dia quente e úmido, que desaparece com tempo seco.
Teste do hidrômetro
- Feche todas as torneiras e descargas.
- Anote a leitura do hidrômetro.
- Espere algumas horas sem usar água.
- Se o número andou, há consumo escondido, e o forro entra na lista de suspeitos.
Sinais externos que valem uma foto
Do chão, sem subir, dá para ver pistas de problema na cobertura:
- telhas deslocadas, quebradas ou com cantos soltos;
- cumeeira com vão ou com argamassa trincada;
- rufo descolado da parede ou com ferrugem;
- calha cheia de folhas, com água parada ou com ponto de ferrugem;
- musgo em faixa escorrida, que mostra por onde a água corre;
- parafusos de fixação expostos ou soltos.
Use um binóculo ou o zoom da câmera do celular, tire fotos de vários ângulos e mostre ao telhadista. Isso reduz o tempo de vistoria.
O que não fazer
Não passe manta, massa ou selante sobre telha molhada ou suja esperando segurar a goteira: o produto não pega e o ponto real continua aberto. Não fure o forro para escoar a água sem orientação, porque a água pode cair com força e o forro perde resistência. E não tente reparar conexão de caixa d'água no forro com o abastecimento aberto, o que só piora o vazamento. Feche o registro e chame o encanador.
Quando chamar um técnico
Se o vazamento vem de cano no forro, chame um caça-vazamento. Ele pressuriza a rede, escuta com geofone e usa câmera térmica para localizar o ponto sem rasgar o forro. Se a origem for telha, rufo ou calha, o profissional certo é o telhadista.
Chame também quando:
- o forro estiver estufado ou manchado a ponto de poder ceder;
- a caixa d'água estiver sobre o telhado ou a laje;
- não houver acesso seguro ao vão do forro;
- o hidrômetro mexer com tudo fechado e você já olhou as conexões visíveis.
Na visita, mostre o diário de chuva, as fotos e o teste do hidrômetro. Pergunte qual método ele usará para localizar o ponto e se o orçamento inclui a recomposição do forro, porque a troca de telha ou cano e o conserto do forro costumam ser serviços separados.